A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella, o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e outros quatro policiais civis. A ação é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga organização criminosa suspeita de usar postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Segundo o Coaf, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.
Foram presos também os irmãos Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes, ambos inspetores da Polícia Civil. Segundo a investigação, eles aparecem em registros manuscritos de pagamentos frequentes que podem ter origem em atividades criminosas. Os dois são identificados pelo codinome “Meninos” em planilhas que registravam a distribuição de dinheiro da rede de postos.
Christiano trabalhava na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) quando Amim esteve à frente da Polícia Civil, entre 2023 e 2024. Ele participou da recuperação de oito metralhadoras desviadas do Exército, encontradas em outubro de 2023 na Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio. As armas estavam enroladas em plástico preto e abandonadas em um carro que saíra da Rocinha. Na ocasião, surgiu a suspeita de que a equipe teria negociado a entrega com o Comando Vermelho, o que nunca foi comprovado.
Após mudança no comando da Polícia Civil, Christiano assumiu a Secretaria de Ordem Pública de Belford Roxo. A PF aponta que ele tinha papel central no esquema de lavagem de dinheiro desviado da prefeitura. O irmão dele, Giovanni, estava lotado na 44ª DP (Inhaúma).
Canella é apontado como principal articulador político da organização, fazendo a ligação entre o poder público, os postos e grupos armados. A investigação afirma que ele teria articulado a indicação de Amim para a presidência do Detran-RJ e depois para o comando da Polícia Civil, com atuação na aprovação de mudança na legislação da Alerj. Ele também é apontado como destinatário de grandes quantias e dono de bens de luxo comprados com recursos ilícitos.
Eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, Canella renunciou no início deste ano para disputar o Senado. Desistiu em agosto e, na eleição de outubro, foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio. Quando era prefeito, postou vídeos denunciando milicianos que cobravam taxas via Pix de moradores.
Amim é apontado como responsável por garantir proteção policial ao grupo, usando os cargos no Detran-RJ e na Polícia Civil. Também é citado como sócio de pessoas que teriam emprestado nomes para esconder os donos dos negócios. Ele foi exonerado em setembro de 2024, substituído por Felipe Curi.
Também foi preso Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, inspetor suspeito de usar a esposa como “laranja”. Segundo a PF, a esposa dele e a de José Carlos Alves de Souza Júnior administravam cerca de 80 empresas, entre postos e firmas inativas. Russo já havia sido citado em 2021 em investigação do MPRJ sobre fraude no transporte de combustíveis, com prejuízo estimado em R$ 1 bilhão.

