Um estudo conduzido por pesquisadores canadenses analisou dados de 101 países e confirmou que o consumo de álcool está diretamente ligado ao aumento das taxas de suicídio. Publicada em uma revista da Associação Médica Americana, a meta-análise revelou que cada litro adicional de álcool consumido por habitante eleva em 3,59% as mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes. No Brasil, especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas que promovam a redução do consumo e o acolhimento das pessoas em sofrimento mental.
A pesquisa destaca que o álcool não apenas causa dependência, mas também agrava quadros depressivos ao atuar como depressor do sistema nervoso central. Segundo a psiquiatra Alessandra Dielh, o consumo pode funcionar como gatilho para tentativas de autoagressão, mesmo entre pessoas sem dependência. A diretora da Associação Brasileira de Psiquiatria, Miriam Gorender, explica que o uso abusivo do álcool potencializa transtornos mentais e provoca sequelas irreversíveis no funcionamento cerebral.
Diante desses dados, especialistas defendem intervenções integradas que envolvam tanto ações individuais quanto políticas populacionais para prevenir mortes relacionadas ao álcool e à saúde mental. Serviços públicos como Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Valorização da Vida (CVV) são indicados para apoio e tratamento. O estudo reforça a urgência de ampliar a conscientização e o acesso a cuidados para reduzir os impactos do álcool na saúde mental da população.

