Donald Trump tenta encontrar uma saída para a crise que ele mesmo criou com o Irã. Fontes iranianas afirmaram que os Estados Unidos estão buscando o Irã para encerrar a guerra, e que os iranianos estão dispostos a ouvir propostas.
Segundo essas fontes, o Irã está pronto para oferecer garantias de que nunca desenvolverá uma arma nuclear, mas deseja usar a tecnologia para fins pacíficos, além do fim das sanções. As declarações indicam uma negociação indireta entre Irã e Estados Unidos, mediada por países aliados, o que contradiz Trump, que afirma haver negociações diretas e avançadas em andamento.
O porta-voz militar do regime iraniano, no entanto, zombou de Trump em um vídeo publicado recentemente. A pressão sobre Trump para aliviar as tensões aumenta devido aos custos financeiros, políticos e humanos da guerra. As falas mais recentes do presidente americano parecem indicar que ele está se preparando para declarar vitória e interromper os ataques.
Contudo, não está claro qual seria a conquista obtida pelos Estados Unidos, já que as demandas do Irã permanecem as mesmas desde antes da guerra. A TV estatal iraniana afirmou: “Irã não vai permitir que Trump dite o fim da guerra”.
Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, comentou que “a única constância de Donald Trump até o momento tem sido a sua inconstância”. Ele acrescentou que a busca por uma saída honrosa do conflito está relacionada ao declínio contínuo de sua aprovação e ao aumento dos preços ao consumidor nos Estados Unidos.
Coelho observou que, do ponto de vista militar e estratégico, levar divisões militares para próximo do conflito tende a aumentar a capacidade de barganha, mas as mensagens são contraditórias: “Em um momento, ele diz que está pronto para fazer o maior ataque, dois dias depois diz que está pronto para discutir a paz”.
O especialista avaliou que Trump está, de certa forma, derrotado na comunicação do conflito e em outros fatores. “Do ponto de vista material, é certo que o Irã perdeu muito da sua capacidade militar, mas o regime sai enfraquecido, porém vivo, sem mudança de regime.”
Ele concluiu que “o melhor a fazer nesse momento para Donald Trump é declarar uma vitória ainda que absolutamente limitada, porque a tendência é que as coisas piorem”.
Lourival Sant’Anna, analista internacional, enfatizou que “não existe saída para os Estados Unidos”. Ele afirmou que não é possível garantir a navegação no Estreito de Ormuz sem enviar milhares de soldados para proteger a costa, uma vez que a região é montanhosa e complicada para enfrentar uma guerra de guerrilha, para a qual os iranianos estão preparados.
Segundo Sant’Anna, “politicamente, não é sustentável um cenário em que você teria dezenas, talvez centenas de soldados americanos morrendo ali para garantir a navegação do Estreito de Ormuz”. Ele acrescentou que Trump não pode parar a guerra agora: “Se ele para, é uma derrota clara, porque antes da guerra o Irã não bloqueava o Estreito de Ormuz. É uma perda estratégica brutal para os Estados Unidos”.
O analista concluiu que “Trump realmente se colocou numa situação em que ele se obrigou a sofrer uma humilhação ou pagar um preço político insustentável, que é a morte de muitos soldados americanos”.

