O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) teve um crescimento significativo em 2025, atingindo níveis recordes sem um aumento relevante do risco. Dados da ANBIMA indicam que o mercado de capitais brasileiro somou R$ 838,8 bilhões em ofertas públicas, representando uma alta de 6,4% em relação a 2024.
Os instrumentos de securitização ganharam destaque, com os FIDCs ultrapassando 1.000 operações e respondendo por 42% das emissões de renda fixa em número de negócios, além de captar R$ 90,8 bilhões, um dos maiores volumes da série histórica. Esses fundos atuam como intermediários entre empresas que precisam antecipar recebíveis e investidores em busca de retorno.
Um estudo da Austin Rating avaliou 103 fundos com diferentes tipos de carteira e comparou os níveis de atraso e inadimplência com o patrimônio líquido dos fundos. Os dados mostram que a inadimplência permaneceu estável ao longo de 2025, mesmo com o crescimento do mercado. Os atrasos de pagamento, acima de 15 dias, oscilaram entre 9% e 7,5% do patrimônio dos fundos, enquanto a inadimplência acima de 90 dias variou de 5% a 3,5%.
Embora os atrasos sejam mais elevados por captarem problemas iniciais, não houve aumento relevante na migração desses casos para calotes prolongados, indicando que a qualidade das carteiras se manteve sob controle. Isso sugere que a expansão dos FIDCs ocorreu de forma equilibrada, sem deterioração expressiva dos indicadores de crédito.
Entretanto, o cenário atual exige atenção. Em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo, a manutenção desses níveis dependerá da capacidade dos fundos de continuar filtrando riscos e da saúde financeira das empresas que originam os recebíveis. O teste mais rigoroso pode ocorrer nos próximos ciclos econômicos, quando a pressão sobre a inadimplência tende a aumentar.

