A Austrália e a União Europeia assinaram um acordo de livre comércio nesta terça-feira, 24 de março de 2026, após oito anos de negociações. O pacto foi firmado em Camberra pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e tem um valor aproximado de US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões).
O acordo visa remover quase todas as tarifas sobre o comércio entre as partes e aumentar a cooperação em defesa e minerais críticos. Von der Leyen destacou que, apesar da distância geográfica, a União Europeia e a Austrália compartilham uma visão de mundo semelhante, descrevendo o acordo como um “ganha-ganha”.
““A confiança é mais importante do que as transações”, afirmou von der Leyen, em crítica implícita a Washington.”
Albanese considerou a aliança um “momento significativo para nossa nação”, ressaltando a importância do acordo com a segunda maior economia do mundo. As negociações se prolongaram devido a divergências sobre indicações geográficas para produtos europeus e o acesso ao mercado europeu para a carne bovina australiana.
O pacto foi assinado dois meses após a União Europeia formalizar um acordo comercial com a Índia, criando uma zona de livre comércio que visa proteger ambas as partes da concorrência chinesa e das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Com o novo acordo, a União Europeia prevê um crescimento de mais de 30% nas exportações para a Austrália na próxima década, com um aumento de cerca de 50% para produtores de laticínios e fabricantes de automóveis. Quase todas as tarifas europeias sobre produtos agrícolas australianos, como vinhos e frutas, serão suspensas, resultando em uma economia de aproximadamente US$ 24 milhões (cerca de R$ 126 bilhões) para os produtores de vinho locais.
Os consumidores australianos também devem se beneficiar com a diminuição nos preços de vinhos europeus, massas e outros produtos. Além do acordo comercial, a União Europeia e a Austrália assinaram um pacto para aprofundar a cooperação em defesa, segurança marítima e cibernética.
No ano passado, as empresas europeias exportaram cerca de US$ 42,9 bilhões (R$ 224 bilhões) em mercadorias para a Austrália, e as exportações de serviços totalizaram aproximadamente US$ 35,9 bilhões (R$ 188 bilhões) em 2024.
Apesar das expectativas de crescimento, agricultores europeus criticaram o acordo, considerando as concessões feitas à Austrália “inaceitáveis”. Andrew McDonald, da Meat and Livestock Australia, também expressou descontentamento, afirmando que o acordo sobre exportações de carne não atende às expectativas dos agricultores australianos.

