Um evento no Arquivo Nacional, realizado nesta terça-feira (31), debateu a importância dos arquivos para a preservação da memória sobre o golpe militar de 1964. O encontro ocorre durante a Semana Ditadura, Arquivos e Memória, que recebe pesquisadores e representantes de movimentos de memória até quarta-feira (1º).
Durante o evento, foi apresentado um documento de 1976 do diretório acadêmico da Escola de Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O texto denunciava violações de direitos humanos sofridas por estudantes e mencionava a presença de agentes da ditadura militar no campus. A diretora do Arquivo Central da Unirio, Isabela Costa, destacou a relevância do documento:
““É um documento muito interessante, porque é difícil, em arquivos, a gente ver um texto que fale com tanta clareza sobre esse tipo de violação e traga tantos detalhes.””
A diretora do Arquivo Nacional, Mônica Lima, também participou do evento e enfatizou a importância da proteção dos documentos históricos. Segundo ela, esses arquivos são essenciais para a pesquisa histórica e para o fortalecimento da cultura de direitos humanos.
““Os documentos preservados pelo Arquivo Nacional e disponibilizados para acesso público contribuem para pesquisa histórica, para o direito à memória e à verdade,””
afirmou Mônica.
A historiadora Cecília Coimbra, fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, lembrou a luta dos movimentos sociais e das famílias dos desaparecidos na busca por informações. Ela destacou que, a partir da década de 1980, esses grupos começaram a acessar arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops).
““Conseguimos encontrar depoimentos de pessoas desaparecidas que estavam no Dops,””
contou Cecília, ressaltando que a luta por acesso a outros arquivos ainda continua.
O evento também contou com a presença de Maria Fabiana Almeida, irmã do desaparecido político Alejandro Almeida e filha de uma das fundadoras do movimento Madres de Plaza de Mayo, da Argentina. Maria Fabiana compartilhou a experiência de sua família e a importância de não esquecer as violações de direitos humanos.
““Não podemos nos esquecer do passado, nem ter medo de falar a verdade, porque aqueles tempos podem voltar,””
alertou Maria.

