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Exposição na UFF apresenta acervo inédito sobre atos de 8 de janeiro

Amanda Rocha
Última atualização: 29 de março de 2026 04:01
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma exposição com imagens e vídeos inéditos dos atos de 8 de janeiro de 2023 será inaugurada na próxima terça-feira (31), no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói.

A mostra, intitulada “Subterrâneos a céu aberto”, reúne registros produzidos pelos próprios participantes das manifestações e propõe uma reflexão sobre a circulação de conteúdos digitais e a preservação da memória recente no país.

A exposição relembra o dia em que manifestantes convocados por redes sociais e vândalos que estavam acampados há meses em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, seguiram em direção à Esplanada dos Ministérios e atacaram as sedes dos Três Poderes.

A exposição ficará em cartaz até o dia 10 de maio, no Centro de Artes da UFF, localizado na Rua Miguel de Frias, nº 9, em Niterói.

O material exibido faz parte do Acervo Digital 8 de Janeiro, um projeto desenvolvido pelo Condado Lab, da PUC-Rio, com apoio de instituições de pesquisa. Ao longo de mais de dois anos, pesquisadores reuniram cerca de 1,2 milhão de metadados, mais de 400 mil imagens e mais de 100 mil vídeos.

Os conteúdos circularam nas redes sociais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023 e, em muitos casos, foram posteriormente apagados. A iniciativa busca preservar esse material como fonte para pesquisa, ensino e debate público.

A exposição apresenta parte desse acervo em um percurso imersivo, que combina imagens, vídeos e sons com linguagem artística. O espaço foi dividido em quatro ambientes: Labirinto, mosaico, acampamentos e caverna.

Os visitantes podem percorrer livremente os espaços, que incluem reconstruções de cenários, mosaicos visuais e composições sonoras criadas por artistas convidados. Segundo o coordenador do projeto, o pesquisador Marcelo Alves, o principal desafio foi transformar o grande volume de dados em uma experiência acessível ao público.

“”O desafio foi transformar um volume grande de dados em uma experiência que permita ao público compreender como esses conteúdos circularam e o que eles revelam sobre aquele momento”, disse Alves.”

A exposição também propõe uma reflexão sobre o uso de símbolos e as disputas de significado no Brasil contemporâneo. Elementos como a bandeira nacional, amplamente presentes nos atos, aparecem ressignificados nas obras, estimulando o debate sobre as tensões políticas e sociais do país.

Para o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, a iniciativa reforça o papel da universidade na preservação da memória recente.

“”Esta mostra traz à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a fragilidade da memória em tempos de plataformas digitais. Ao articular dados, arte e tecnologia, nossa universidade se consolida como um espaço ativo de reflexão, onde a justiça de transição e a cidadania são debatidas para garantir que o passado não seja silenciado, mas sim compreendido para protegermos o futuro”, afirmou Nobrega.”

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