A jovem Noelia Castillo Ramos, de 25 anos, morreu nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, ao se submeter a um procedimento de eutanásia. Ela enfrentou uma longa batalha judicial contra seu pai, que se opôs à sua decisão.
Noelia era paraplégica e lutava contra traumas físicos e psicológicos. Ela desejava partir em seus próprios termos, o que gerou uma intensa disputa na justiça da Espanha pelo direito ao suicídio assistido. ‘Quero partir em paz já e parar de sofrer, ponto final’, afirmou a jovem em entrevista à emissora espanhola Antena 3.
Após 20 meses de busca por permissão para a eutanásia, Noelia obteve vitórias em todas as instâncias da justiça espanhola e no Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Sua decisão foi influenciada por uma vida marcada por turbulências, que começou aos 13 anos, quando sua família se desestruturou com a separação dos pais.
Durante sua vida, Noelia foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de personalidade borderline. Ela também relatou ter sido vítima de três episódios de abuso sexual, o que culminou em sua primeira tentativa de suicídio em outubro de 2022, após o último episódio, resultando em sua paraplegia.
A legislação espanhola permite o suicídio assistido desde junho de 2021, mas o caso de Noelia foi complexo devido à oposição familiar. O pedido dela foi aprovado pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha em 18 de julho de 2024, que reconheceu sua ‘situação clínica irrecuperável’.
Contudo, seu pai contestou a decisão, alegando que a filha não era capaz de tomar tal decisão. Ele levou a disputa a cinco instâncias judiciais, mas nenhum órgão se opôs a Noelia, afirmando que ela atendia aos requisitos para decidir sobre sua morte.
‘Finalmente consegui, e agora talvez eu possa finalmente descansar’, disse Noelia após a determinação da corte europeia. Ela se despediu de parentes e pediu para ser deixada em paz em seus últimos momentos: ‘Não quero que me vejam fechar os olhos’, solicitou.

