O mercado de previsões tem ganhado força no mundo e se prepara para chegar ao Brasil. Em fevereiro, durante o Super Bowl, 125 milhões de pessoas assistiram ao jogo entre o New England Patriots e o Seattle Seahawks, que se consagrou campeão da última temporada de futebol americano. No entanto, uma parte do público estava mais interessada no show do cantor Bad Bunny no intervalo, com foco em apostas financeiras.
Na plataforma Kalshi, os usuários apostaram 100 milhões de dólares na música que abriria a apresentação e 45 milhões nos artistas convidados. Esses números refletem o crescimento exponencial do mercado de previsões, que movimentou 40 bilhões de dólares em 2025, um aumento de 400% em relação ao ano anterior. A empresa Foresight Venture estima que o mercado alcance 300 bilhões de dólares em 2026 e a consultoria Eilers & Krejcik projeta 1 trilhão de dólares até 2030.
Esses dados despertaram o interesse de instituições financeiras no Brasil. A XP Inc., que controla a corretora XP Investimentos, anunciou uma parceria com a Kalshi, fundada em 2018 por Luana Lopes Lara e Tarek Mansour. Com essa parceria, clientes da Clear Corretora com conta internacional na XP poderão negociar previsões.
A B3 também está se preparando para explorar esse segmento, lançando contratos preditivos chamados de “derivativos de eventos” ainda este ano. Esses produtos serão destinados a investidores profissionais, aqueles com mais de 10 milhões de reais em aplicações financeiras, e serão lastreados em previsões para ativos financeiros como o dólar e o Ibovespa.
Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3, esclarece que o objetivo é tratar esses papéis como contratos de derivativos, que são familiares para os investidores. “Não são apostas”, afirma Masagão. “São ativos negociados no mercado e com preços formados pelos participantes.”
A negociação direta entre as partes é uma característica fundamental do mercado preditivo. Embora apostar em eventos, como quem será o próximo presidente ou os vencedores do Oscar, não seja novidade, as casas de apostas tradicionais definem o valor do prêmio e as probabilidades. No mercado preditivo, as plataformas apenas conectam indivíduos que apostam uns contra os outros, e quem perde paga.
Para garantir a confiança nas transações, são necessárias regras. A B3 está colaborando com a Comissão de Valores Mobiliários para criar uma regulamentação para o mercado de previsões, evitando problemas como sonegação fiscal, prejuízos ao consumidor e lavagem de dinheiro. Fabio Kujawski, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho, alerta: “O Brasil não pode repetir os erros que foram cometidos no início das bets.”

