A onça-pintada, o maior felino das Américas, foi um dos principais destaques da Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande, no dia 25 de março de 2026.
O animal, conhecido por percorrer grandes distâncias, atravessando fronteiras entre países sem reconhecer limites territoriais, foi tema de discussão entre especialistas durante o painel “Um continente, uma onça-pintada: construindo conectividade transfronteiriça na América do Sul”.
Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, destacou que o deslocamento frequente é uma característica marcante da espécie.
“”As onças-pintadas se deslocam muito, andam dezenas de quilômetros todos os dias, principalmente machos jovens em processos de dispersão”.”
Esse comportamento permite que os felinos circulem por grandes áreas naturais, cruzando regiões de diferentes países, como Brasil, Paraguai e Bolívia. Especialistas enfatizam que entender o modo de vida da onça-pintada é essencial para planejar ações que garantam sua sobrevivência.
Além de seu tamanho e força, a onça-pintada é considerada um indicador da qualidade ambiental, ocupando o topo da cadeia alimentar.
“”A presença da onça-pintada num território demonstra que aquele território está saudável””
, afirmou Feliciani.
O Pantanal, que ocupa parte de Mato Grosso do Sul, é uma das áreas mais importantes para a onça-pintada no Brasil. Embora a situação atual não seja crítica, especialistas alertam para mudanças ambientais que exigem atenção. Rogério Cunha de Paula, biólogo e coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do ICMBio, afirmou que o cenário é estável, mas pode mudar com os impactos ambientais.
“Ele ainda não chegou no ponto crítico, mas se a gente deixar descontrolado pode vir a ser um problema”, disse o biólogo, mencionando fatores como alterações no fluxo natural de água e aumento de incêndios que podem afetar o habitat das onças.
Outro ponto destacado foi que a onça-pintada não reconhece fronteiras políticas, podendo circular entre diferentes países ao longo da vida. Ramon Torres, representante do Ministério do Ambiente do Paraguai, ressaltou que o comportamento natural da espécie exige grandes áreas para sobreviver.
“”É importante, um elemento tão importante como o jaguar, que não reconhece limites fronterísticos políticos, mas só requer espacios naturais para poder se mover”.”
A onça-pintada é considerada um símbolo do Pantanal e da biodiversidade brasileira. Felipe Feliciani afirmou que a presença do animal representa equilíbrio ambiental e deve ser valorizada pela população local.
“”A presença de onças-pintadas é motivo de orgulho para o território e deve ser motivo de orgulho para o estado do Mato Grosso do Sul e para o Pantanal”.”

