Integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da PF (Polícia Federal) estão tratando com rigor a negociação para a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso pela PF no começo do mês.
A defesa de Vorcaro costurou um acordo com a PF, PGR e o gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Vorcaro assinou um termo de confidencialidade e, desde a última sexta-feira (20), já recebeu por nove vezes seus advogados na PF para as tratativas.
Investigadores, no entanto, apontam cautela e ceticismo em relação à delação. As equipes de investigação afirmam que Vorcaro precisa entregar provas e documentos relacionados ao que eventualmente for delatar, além de fazer conexões de datas e outras pessoas, e não apenas “falar”.
O objetivo é garantir que a iminente delação não caia em descrédito e que traga informações novas, além do material probatório já coletado pela PF. Outro ponto levantado pela PF e PGR é a necessidade de se “descolar da sombra da Lava Jato”, referindo-se às delações que foram fechadas na época das investigações no Paraná e depois anuladas por falta de provas.
Integrantes da PGR também mencionaram a delação recente do tenente-coronel Mauro Cid, no processo da trama golpista, que foi criticada pela Procuradoria por não acrescentar informações relevantes ao inquérito.
Na última semana, pelo menos quatro investigados de grandes casos midiáticos começaram a negociar acordos, incluindo o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel (caso Master), e o empresário Maurício Camisotti (caso INSS).
Vorcaro busca, na negociação para a delação, tentar retirar do rol de acusações contra ele o crime de organização criminosa, além de se desvincular da acusação de ser o líder do esquema. Um dos motivos é que, para entregar informações sobre uma organização criminosa, o delator precisa, em tese, apontar quem seria o chefe da organização.

