Na última quinta-feira, 24 de março de 2026, um casal de saguis foi flagrado na gôndola de bananas de um supermercado em Cachoeira do Itapemirim, no sul do Espírito Santo. Os animais, sem qualquer constrangimento, se serviram à vontade, ignorando os clientes ao redor.
O vídeo do ocorrido viralizou nas redes sociais, gerando comentários como “Nós invadimos o espaço deles. Nada mais justo” e “Que fofura!”. O episódio, embora inusitado, reflete uma realidade crescente, onde a diminuição das áreas verdes e a expansão urbana aproximam cada vez mais os animais silvestres dos humanos.
Os saguis, primatas do gênero Callithrix, são comuns na Mata Atlântica e possuem um comportamento altamente adaptável. Na natureza, eles se alimentam principalmente de seiva de árvores, frutas, insetos e pequenos vertebrados. Com a urbanização e a fragmentação de habitats, esses animais têm explorado novas fontes de alimento, como lixo doméstico e estabelecimentos comerciais.
A facilidade de acesso a alimentos calóricos, como frutas expostas, altera os padrões naturais de forrageamento dos saguis, reduzindo a necessidade de deslocamentos maiores e aproximando-os de áreas densamente povoadas. Além disso, os saguis vivem em grupos familiares cooperativos, o que facilita a exploração de ambientes urbanos, com alguns indivíduos se alimentando enquanto outros ficam atentos a riscos.
A relativa ausência de predadores nas cidades contribui para a sensação de segurança desses primatas em espaços humanos. No entanto, a convivência com humanos traz desafios, como a oferta de alimentos inadequados, que pode causar problemas nutricionais, e o aumento do risco de transmissão de doenças entre espécies.
A urbanização também favorece a expansão de espécies mais adaptáveis, como o sagui-de-tufo-branco e o sagui-de-tufo-preto, em detrimento de espécies nativas mais sensíveis, gerando desequilíbrios ecológicos e a perda da identidade da espécie.

