Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
OK
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Procurar
© 2024 - BRASIL EM FOLHAS S/A
Leitura: Argentina altera lei de proteção a geleiras, favorecendo mineração em áreas sensíveis
Notificação Mostrar mais
Font ResizerAa
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Font ResizerAa
Procurar
Have an existing account? Sign In
Follow US
© 2024 BRASIL EM FOLHAS S/A

Argentina altera lei de proteção a geleiras, favorecendo mineração em áreas sensíveis

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de abril de 2026 11:33
Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

A Argentina aprovou uma mudança significativa em sua lei de proteção a geleiras, permitindo a expansão da mineração em regiões consideradas estratégicas para o abastecimento de água. A medida foi aprovada pela Câmara dos Deputados com 137 votos a favor e 111 contra, após já ter sido aprovada pelo Senado, e aguarda sanção presidencial.

A nova legislação transfere maior poder às províncias para decidir quais áreas glaciais e periglaciais devem ser protegidas, substituindo o modelo anterior que estabelecia critérios mínimos em nível nacional. A legislação anterior era uma das mais restritivas da América Latina, proibindo atividades que pudessem afetar geleiras e zonas adjacentes, reconhecidas como reservas estratégicas de água.

Com a nova regra, governadores e autoridades locais terão mais autonomia para avaliar o “valor hidrológico” dessas formações, o que pode permitir a liberação de projetos de mineração em áreas antes protegidas. O governo argumenta que a lei anterior era excessivamente ampla, classificando como geleiras formações sem relevância hídrica e dificultando investimentos.

O presidente Javier Milei afirmou que a mudança corrige distorções e abre espaço para o desenvolvimento econômico. A flexibilização ocorre em um momento em que a Argentina busca explorar seu potencial mineral, especialmente no “triângulo do lítio”, que divide com Chile e Bolívia e concentra algumas das maiores reservas do mundo.

Apesar do potencial, a Argentina historicamente ficou atrás de seus vizinhos na atração de investimentos no setor. A mineração é considerada pelo governo um dos pilares para a recuperação econômica, em meio à crise fiscal e à escassez de dólares. Empresas como Barrick Gold, Glencore, Rio Tinto e Lundin Mining têm projetos ou interesses na região andina argentina, especialmente na província de San Juan.

No entanto, a mudança enfrenta forte resistência de organizações ambientais e especialistas em direito. Entidades como a Fundação Ambiente e Recursos Naturais (FARN) argumentam que a reforma pode violar a Constituição argentina, que prevê padrões mínimos de proteção ambiental em todo o território.

Críticos afirmam que a descentralização das decisões pode gerar insegurança jurídica, com critérios variando entre províncias e mudando conforme governos locais. Para ambientalistas, a medida abre brechas para disputas judiciais prolongadas, o que pode afastar investidores em vez de atrair.

O impacto sobre a segurança hídrica é o principal ponto de tensão. Geleiras e áreas periglaciais funcionam como reservatórios naturais de água, essenciais em regiões áridas dos Andes. Embora ocupem cerca de 1% da área andina, essas formações regulam o fluxo de água ao longo do ano, garantindo abastecimento para cidades, agricultura e geração de energia.

Organizações ambientais alertam que a redução das proteções pode comprometer esse equilíbrio, especialmente em um contexto de aquecimento global e retração acelerada das geleiras. A reforma ocorre em um cenário de pressão crescente sobre recursos naturais, com geleiras na região andina encolhendo, aumentando sua importância estratégica.

O governo de Milei tem adotado uma postura crítica em relação à agenda climática internacional, aproximando-se de posições defendidas pelos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. Essa aproximação reforça a percepção de que a Argentina prioriza o crescimento econômico e a exploração de recursos naturais, mesmo diante de riscos ambientais.

A tramitação da reforma gerou forte mobilização pública, com mais de 100 mil pessoas se registrando para participar de audiências e consultas durante o processo legislativo. Protestos também ocorreram em Buenos Aires, onde manifestantes denunciaram o que consideram uma “venda do futuro” em troca de ganhos econômicos de curto prazo.

Organizações ambientais já sinalizaram que devem recorrer à Justiça para tentar barrar a nova lei ou limitar seus efeitos. Enquanto isso, investidores acompanham a situação com cautela, pois, embora a reforma prometa destravar projetos, a possibilidade de disputas legais e mudanças regulatórias pode manter o ambiente de incerteza.

Notícia Anterior Transporte Eficiente em Teresina enfrenta suspensão e frota reduzida há dois meses
Próximo notícia Argentina altera lei de proteção a geleiras, favorecendo mineração em áreas sensíveis
Banner
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Follow US
© 2024 BRASIL EM FOLHAS S/A
Bem vindo de volta!

Faça login na sua conta