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Clima e demanda impactam o setor agro nos EUA e Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 21 de abril de 2026 10:32
Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O clima para a safra de grãos nos Estados Unidos e para a segunda safra de milho no Brasil apresenta condições favoráveis, o que deve influenciar a precificação no mercado futuro. No entanto, eventos climáticos imprevistos podem levar a uma alta nos preços na Bolsa de Chicago.

A safra americana necessita de chuvas regulares até junho para evitar problemas de custo na lavoura. No Brasil, o mercado está atento à possibilidade de um forte El Niño no terceiro trimestre deste ano, que pode agravar problemas macroeconômicos, conforme especialistas.

Um relatório recente do NOAA (National Oceanic Atmospheric Administration) indica uma alta probabilidade de 61% de formação de El Niño entre maio e julho. Para o Brasil, isso pode significar mais chuvas na região sul e escassez de chuvas no centro-oeste.

““Com isso, a bolsa de Chicago fica mais incerta e sensível a qualquer informação pois começa a se definir de fato a safra americana. Se o clima for um fator de queda para Chicago, isso afetará diretamente nos preços dos grãos brasileiros”,”

afirmou Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural.

No que diz respeito à soja de verão, que será plantada no segundo semestre, o regime de chuvas será crucial para manter as projeções recordes. Para o milho safrinha, que já está no campo, os mapas meteorológicos indicam chuvas acumuladas nos próximos 30 dias, o que é favorável para a umidade do solo e o desenvolvimento da safra. Contudo, chuvas excessivas podem prejudicar o trabalho de campo e atrasar o plantio.

Os riscos climáticos, juntamente com os efeitos da guerra no Oriente Médio, têm elevado os custos da lavoura. No Brasil, os produtores enfrentam dívidas, dificuldades de crédito e juros altos. Raphael Bulascoschi, analista de gerenciamento de risco da StoneX, alerta que se o fenômeno El Niño persistir até o final do ano, o ciclo de verão pode sofrer prejuízos, especialmente em um ano com expectativas de supersafra.

Um fator crucial para uma previsão positiva é a ocorrência de chuvas no Rio Grande do Sul, que sofreu com adversidades climáticas nos últimos dois anos. No Norte do país, a probabilidade de estiagem pode alterar os calendários de colheita da safra 2026/27, conforme frisa Bulascoschi.

Na agricultura americana, o mercado demonstra preocupação com o impacto no desenvolvimento dos plantios de soja e milho. Os produtores iniciaram o plantio de primavera com insumos mais caros, e alguns ainda não realizaram as compras.

““Qualquer atraso de plantio, somado a custo alto e ajuste de pacote tecnológico vira risco real para produtividade e área”,”

destacou Pedro Gomes, analista da Royal Rural.

Bulascoschi acrescenta que novas previsões climáticas devem ser consideradas na cautela da agricultura, pois afetarão a precificação dos grãos. Na Bolsa de Chicago, a formação do preço do milho dependerá do ritmo das exportações do Brasil a partir de julho. Além disso, no Congresso americano, discute-se a liberação do E15 durante todo o ano devido aos impactos da guerra no Oriente, que têm elevado os preços. Se essa medida avançar, a demanda por etanol nos Estados Unidos será um fator significativo de crescimento, resultando em um aumento da produção de milho no país.

O mercado também está atento à demanda. O relatório mensal da NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos) revelou que o volume de esmagamento de soja nos EUA foi de 6,15 milhões de toneladas em março, enquanto a expectativa era de 6,2 milhões de toneladas.

““Mesmo vindo menor do que a expectativa, esse foi o maior esmagamento de março dos últimos cinco anos. O NOPA mostrou que, mesmo abaixo do esperado, a demanda americana está muito forte. Esse volume é muita soja esmagada em março”,”

explicou Ronaldo Fernandes.

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