O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa foi preso na manhã desta quinta-feira (16) durante uma nova fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal.
O advogado Daniel Monteiro, próximo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também foi detido. Ele é suspeito de montar uma operação para transferir seis imóveis de luxo a Costa por meio de empresas de fachada.
A quarta fase da operação cumpre sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal. As investigações apuram um esquema de lavagem de dinheiro destinado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Estão sendo investigados crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa. Paulo Henrique Costa já havia sido alvo da primeira fase da operação, em novembro do ano passado, quando Daniel Vorcaro também foi preso.
Naquela ocasião, Costa foi afastado do cargo no banco público de Brasília. Além de Vorcaro e Costa, outras pessoas foram presas no escândalo do extinto Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central: Fabiano Campos Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moares Mourão, Marilson Roseno da Silva e Luiz Antonio Bull.
A operação da Polícia Federal está em andamento em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia e Minas Gerais. As investigações visam apurar irregularidades na gestão do Banco Master, que já estava sob monitoramento do Banco Central há meses.
Na terceira fase da operação, Luiz Phillipi Machado de Moares Mourão, conhecido como “Sicário”, foi preso, mas morreu dias depois. A Polícia Federal alegou que ele teria atentado contra a própria vida, mas a família de Mourão afirma não ter tido acesso aos autos do inquérito ou ao laudo do IML.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após a prisão de Daniel Vorcaro. Essa decisão ocorreu meses após a rejeição da venda do Banco Master para o BRB, devido a riscos excessivos apontados pelo órgão regulador.
Uma auditoria externa contratada pelo BRB concluiu investigações sobre operações financeiras entre o BRB e o Banco Master, revelando suspeitas de que servidores do BRB forçaram a compra de ativos problemáticos do Banco Master, totalizando cerca de R$ 12 bilhões, mesmo cientes de que eram fraudulentos.
O relatório da auditoria pode conter provas suficientes para processar criminalmente os diretores e o ex-presidente Paulo Henrique Costa, com pelo menos dez funcionários em cargos de chefia citados nas negociações irregulares.

