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Geógrafo brasileiro explora Irã e destaca o estreito de Ormuz

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de abril de 2026 07:48
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O geógrafo Jorge Mortean trabalhou na área de responsabilidade socioambiental do banco HSBC em São Paulo até maio de 2009, quando recebeu uma ligação da embaixada do Irã em Brasília. A secretária da representação perguntou se ele havia visto um e-mail enviado anteriormente, que continha três opções de data para sua passagem a Teerã. Mortean teve cerca de 15 dias para providenciar passaporte, pedir demissão e mudar-se para o Irã por três anos.

Selecionado entre 75 candidatos brasileiros para uma bolsa integral de mestrado na Academia Diplomática Iraniana, Mortean viveu em Teerã de 2009 a 2012. Ao chegar à capital iraniana, ele já acumulava seis anos de pesquisa sobre o país, que resultaram na criação da área de Estudos Iranianos no Laboratório de Geografia Política (Geopo) da Universidade de São Paulo (USP).

Embora tivesse um currículo acadêmico sólido, Mortean tinha pouca experiência internacional, tendo deixado o Brasil apenas duas vezes, para Argentina e Colômbia. Sua vivência no Irã proporcionou um entendimento profundo sobre a região, especialmente sobre o conflito no Oriente Médio. Ele percorreu grande parte do litoral do Golfo Pérsico, incluindo as províncias de Khuzestão, Bushehr e Ormuzgão, além de países como Catar, Emirados Árabes e Omã.

Mortean comentou que os iranianos afirmam que as quatro estações coexistem no país, com neve em Teerã e temperaturas de 30ºC no Golfo Pérsico. Ele também destacou que o golfo é relativamente raso, com profundidade média de 70 metros, comparável a mares como o Báltico e do Norte, mas muito inferior ao Mar Mediterrâneo.

O estreito de Ormuz, que conecta os golfos Pérsico e de Omã, é mais profundo, chegando a 200 metros em alguns pontos. Este estreito é estratégico, pois por ele escoa 20% da produção petrolífera global. Mortean visitou a província de Bushehr e lamentou não ter conseguido conhecer a Ilha de Kharg, considerada uma área de segurança devido às instalações da indústria petrolífera.

O geógrafo também mencionou que a província de Bushehr é rica em história, com ruínas dos períodos aquemênida e sassânida. Ele observou que os iranianos se orgulham de Bushehr, não apenas por sua localização, mas também por seu patrimônio cultural. Mortean relatou que, ao mencionar sua viagem ao estreito de Ormuz, muitos iranianos o questionaram sobre o que ele faria lá, referindo-se ao local como ‘o fim do mundo do Irã’.

Para Mortean, a viagem ao estreito tinha um caráter cultural, pois desejava conhecer as fortalezas construídas pelos portugueses. A jornada até a Ilha de Ormuz envolveu um voo de duas horas e uma travessia de barco. Ele descreveu a ilha como pequena, com 42 quilômetros quadrados, e cheia de vida cultural, incluindo festivais de arte.

Durante sua visita, Mortean encontrou uma capela com inscrições em português arcaico, o que lhe trouxe uma forte emoção ao refletir sobre o imperialismo e a colonização portugueses.

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