A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quinta-feira (2) uma portaria que determina a inatividade do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob acusação de feminicídio pela morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
A portaria, assinada pela Diretoria de Pessoal da PM, estabelece que, conforme a lei, Geraldo Neto tem direito à aposentadoria com vencimentos integrais. Assim, mesmo aposentado, ele continuará recebendo o salário que, em fevereiro de 2026, foi de R$ 28,9 mil brutos, conforme dados do site da Transparência do Governo de São Paulo.
Fontes consultadas indicam que, na prática, o tenente-coronel também evita um processo da Corregedoria que poderia resultar em sua expulsão da corporação. Geraldo Neto foi preso em 18 de março, após a Justiça Militar decretar sua prisão preventiva, acusado de feminicídio e fraude processual.
Ele é suspeito de forjar a morte da esposa, que foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal residia no Brás, Centro de São Paulo. Inicialmente, Geraldo afirmou que Gisele havia se suicidado, mas investigações da Polícia Civil, baseadas em laudos periciais, revelaram inconsistências na versão apresentada por ele.
A análise do celular de Gisele, que foi desbloqueado minutos após o disparo, revelou que mensagens foram apagadas por Geraldo. A última mensagem de Gisele para o marido, enviada às 23h do dia anterior à sua morte, indicava que ela estava disposta a pedir o divórcio.
““Pode entrar com pedido essa semana”, disse Gisele na mensagem.”
Relatos de policiais militares apontam que houve episódios de agressividade por parte de Geraldo dentro do quartel, incluindo uma situação em que ele teria segurado Gisele pelos braços e a pressionado contra a parede. Testemunhas afirmaram que Gisele demonstrava preocupação com a reação do marido em diversas situações.
Laudos periciais e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel atirou contra Gisele e manipulou a cena do crime para simular um suicídio. O Ministério Público pediu que, em caso de condenação, seja fixada uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.
O caso, que é o primeiro de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, pode ser julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri. A defesa de Geraldo nega as acusações e questiona a competência da Justiça Militar.

