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Professor avalia como ‘muito difícil’ acordo para reabertura do Estreito de Ormuz

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de abril de 2026 19:53
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, avaliou como “muito difícil” a possibilidade de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, que está fechado devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Em entrevista ao programa Hora H, o especialista analisou o cenário atual do conflito e as perspectivas para os próximos dias.

Rudzit explicou que havia uma expectativa em torno da proposta paquistanesa, elaborada em conjunto com Arábia Saudita, Egito e Turquia. “Por ser uma proposta da região, não uma proposta ocidental, muito menos americana, havia esperança de que o Irã talvez fosse aceitar”, afirmou. No entanto, segundo o professor, “a recusa iraniana mostra bem que o regime está pagando para ver e vai sustentar esse conflito econômico”.

O especialista alertou para as graves consequências econômicas do fechamento do Estreito de Ormuz. “Se em torno de US$ 100 a 120 já está complicado, 200 ou mais vai ficar muito pior”, destacou, lembrando que o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad já havia ameaçado fechar o estreito anteriormente, afirmando que “US$ 200 o barril vai ser pouco” caso o Irã fosse bombardeado.

De acordo com Rudzit, enquanto países dependentes de petróleo sofrem com a situação, outros se beneficiam. “Do ponto de vista russo, isso está sendo fantástico, porque o que o governo russo agora está conseguindo de entrada de moeda forte para sustentar sua guerra contra a Ucrânia veio em ótima hora para Vladimir Putin”, explicou. Já a China, embora não queira uma guerra prolongada que afete sua economia, “está muito satisfeita em ver os Estados Unidos se atolando numa guerra como essa”.

Quanto à ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano, o professor avaliou que o Irã está tentando incluir todas as hostilidades na região em uma possível negociação de cessar-fogo, pois seria “a única forma do Irã socorrer o seu aliado Hezbollah no Líbano”. Segundo ele, “as operações israelenses contra o Hezbollah estão tendo efeito, estão desestruturando o grupo, mas têm o efeito colateral de mortes e de deslocamento de milhares de civis libaneses”.

Rudzit destacou ainda que, mesmo que haja algum cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, é improvável que o governo israelense interrompa suas operações no sul do Líbano neste momento. O professor também analisou que o regime iraniano busca prejudicar economicamente os Estados Unidos para influenciar as eleições americanas de novembro, quando toda a Câmara dos Deputados será renovada. “Dependendo de quanto durar essa guerra e de quanto subir o preço da gasolina e do diesel, pode ser que até o Senado, os republicanos venham a perder, e aí isso vai ser um desastre político para Donald Trump, com a possibilidade até muito concreta dele ser afastado do cargo”, concluiu o especialista.

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