O Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros, que varia entre 3,50% e 3,75% ao ano, nesta quarta-feira (29). A decisão ocorre com sinais mistos na economia americana, onde o índice de preços ao consumidor (CPI) recuou, mas o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) subiu. A volatilidade do preço do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, também influencia o cenário.
Economistas apontam que o cenário mais provável é a manutenção da taxa, aguardando novos dados. Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, disse que, apesar da desaceleração do núcleo da inflação, o PCE permanece elevado. O mercado de trabalho também demonstrou perda de fôlego, com a criação de 57 mil vagas no payroll, abaixo da expectativa de 115 mil.
A cautela do Fed é reforçada pela postura da nova presidência, Kevin Warsh, que evita sinalizações prévias. Vinicius Flores, sócio da Stratton Capital, comentou que essa mudança força as instituições a projetarem a política monetária com base na economia real. Além disso, a revisão dos métodos de mensuração de preços pelo Fed pode levar a leituras inflacionárias mais baixas.
A instabilidade global representa um risco. João Debom, sócio da Alude Capital, alertou que o preço do petróleo, que orbita US$ 85, pode elevar a probabilidade de aperto monetário. Gustavo Sung, da Suno Research, observou que problemas logísticos no Estreito de Ormuz são a variável crítica, podendo levar o barril a atingir US$ 110 ou mais.
A postura do Fed reverbera no Banco Central do Brasil, pressionando o câmbio e limitando o espaço para cortes na Selic. No entanto, fatores domésticos no Brasil também impõem impasses severos ao Comitê de Política Monetária (Copom).

