O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a auxiliares que não vê margem para trégua com a Polícia Federal (PF) nas tensões sobre inquéritos contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva. O impasse mobiliza os bastidores da Corte e preocupa o presidente do tribunal, Edson Fachin.
Mendonça questiona a demora da PF em apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sugere que há tentativas de impedir o avanço das investigações sobre aliados e familiares do presidente Lula. Por outro lado, a corporação alega que o magistrado interfere na autonomia dos trabalhos ao exigir que qualquer mudança na equipe de investigadores seja comunicada previamente.
A cúpula da PF argumenta que a abertura de três frentes de investigação contra Fábio Luiz e uma operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) provam a ausência de uso político. Integrantes da PF afirmam que Mendonça autorizou diligências contra Wagner em tempo menor do que contra aliados de Jair Bolsonaro, como Ciro Nogueira e Cláudio Castro.
Edson Fachin realizou reuniões com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, para tentar aparar arestas. Fachin também se encontrou com o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. Apesar dos esforços, não houve encaminhamentos concretos nesta semana.
O conflito se intensificou após Mendonça determinar que todos os atos da investigação sejam anexados imediatamente ao processo em seu gabinete. A medida gerou a publicação de uma nota de apoio ao diretor-geral assinada por 27 superintendentes da PF, que defenderam a independência técnica da corporação.
Andrei Rodrigues solicitou que a AGU intervenha para impedir as medidas de Mendonça, alegando violação da autonomia da PF. Jorge Messias, porém, resiste a apresentar recurso formal, avaliando que a solução para o atrito depende de uma construção política e não de um ato jurídico.
Fábio Luiz Lula da Silva é suspeito de tráfico de influência no âmbito do governo. A defesa do empresário declarou que setores bolsonaristas da PF apresentaram ilações para prejudicar a campanha de reeleição do presidente Lula em 2026.

