A dívida bruta do governo brasileiro atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, somando R$ 10,9 trilhões, segundo dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (31). O índice representa o maior patamar de endividamento desde abril de 2021, período da pandemia de Covid-19, e registra alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho.
O cálculo abrange as contas do governo federal, estados e municípios. A elevação mensal foi motivada, principalmente, pelas emissões líquidas de dívida e pelos juros nominais apropriados. No atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula, o passivo subiu mais de 10 pontos percentuais, partindo de 71,7% do PIB ao final de 2022.
Em julho, o setor público consolidado, que inclui estatais exceto bancos e Petrobras, teve superávit primário de R$ 1,4 bilhão. O governo federal registrou superávit de R$ 11 bilhões, enquanto governos regionais e estatais fecharam o mês com déficits de R$ 8,5 bilhões e R$ 1,1 bilhão, respectivamente. No acumulado de janeiro a julho, o déficit do setor público soma R$ 78,8 bilhões.
O déficit nominal, que incorpora os gastos com juros da dívida, chegou a R$ 1,239 trilhão nos doze meses até julho, o equivalente a 9,34% do PIB. Alberto Ramos, do Goldman Sachs, afirmou em relatório que a falta de controle de gastos comprometeu a credibilidade das metas fiscais e contribuiu para uma economia superaquecida e endividada.
A apuração indica que a gestão atual realizou a maior emissão de títulos indexados à Taxa Selic em 20 anos. Até julho, foram colocados no mercado R$ 2,8 trilhões em papéis atrelados aos juros, representando 48,2% do total emitido no período. O percentual supera o registrado entre 2019 e 2022, quando a fatia era de 34%.
O Tesouro Nacional informou que as emissões refletem o perfil de vencimentos da dívida e a conjuntura econômica. A exposição à Selic eleva o risco fiscal, pois cada aumento de 1 ponto na taxa básica de juros provoca uma elevação de R$ 60,6 bilhões, ou 0,46% do PIB, na dívida bruta do governo geral.

