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IPCA-15 registra deflação de 0,4% em agosto

Carla Fernandes
Última atualização: 29 de agosto de 2026 19:45
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou deflação de 0,4% em agosto, resultado inferior às previsões. A variação foi puxada por uma queda de 6,25% nas contas de luz, reflexo do bônus de Itaipu, e pelo recuo nos preços de alimentação, que registrou baixa de 0,12%.

A devolução de saldos da conta de comercialização da energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu contribuiu com -0,22 ponto percentual para o grupo de habitação. A apuração indica que, mesmo sem esse abatimento, o índice teria registrado deflação devido ao peso dos itens alimentares.

Apenas quatro dos nove grupos de produtos e serviços tiveram alta no período. As maiores variações foram registradas em despesas pessoais, com alta de 0,66%, e em saúde e cuidados pessoais, que subiram 0,40%. A inflação de serviços, que atingiu 5,9% nos 12 meses encerrados em julho, continua sendo a principal barreira para uma queda mais acentuada do índice.

O cenário futuro é pressionado pelo El Niño, que deve elevar os custos de energia e alimentos. De acordo com questionário pré-Copom respondido por 171 participantes, a mediana do impacto esperado no IPCA é de 0,4 ponto percentual este ano e 0,3 ponto percentual no próximo.

O ritmo de queda da inflação é influenciado por estímulos governamentais à economia. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, o déficit fiscal estrutural foi de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nos quatro trimestres encerrados em junho, valor que era de 0,7% no mesmo período de 2025.

O boletim Focus prevê inflação de 5,02% para 2026 e 4,25% para o ano seguinte. Se as projeções se confirmarem, o IPCA deve ultrapassar o teto da meta este ano. O risco é agravado pela possibilidade de alta nas commodities, embora a depreciação do real seja considerada improvável diante do comportamento atual do dólar.

No setor energético, a situação varia por região. Enquanto o Sudeste tende a ter chuvas intensas com o fenômeno climático, o Centro-Oeste enfrenta atrasos e irregularidade nas precipitações, o que pode afetar o abastecimento e os preços.

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