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Reciprocidade pode pressionar EUA, mas retaliação forte eleva risco de guerra comercial

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de agosto de 2026 15:24
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O início das consultas do governo brasileiro sobre a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos pode forçar uma negociação mais rápida. Contudo, uma resposta tarifária mais intensa do Brasil aumenta o risco de uma escalada comercial entre os dois países, segundo o economista Igor Lucena.

Lucena explica que o Brasil pode retaliar as tarifas americanas com medidas sobre produtos similares ou em setores sensíveis para os EUA. O sucesso dessa pressão depende da intensidade da resposta brasileira e da reação de Washington. Ele afirma que, se o movimento for usado para acelerar a negociação com o governo norte-americano, a medida é válida.

Medidas mais duras, porém, podem provocar os Estados Unidos a ampliar tarifas ou criar novas barreiras comerciais. Um risco imediato para as empresas é a incerteza sobre a alíquota de tarifa ao chegar ao destino, pois produtos embarcados hoje podem sofrer tributação diferente meses depois. Isso dificulta o planejamento de exportadores brasileiros.

O economista também aponta que a taxação de produtos americanos pelo Brasil pode elevar custos internos, pressionando a inflação e complicando a trajetória de redução de juros pelo Banco Central. No aspecto político, Lucena nota que as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos estão em um patamar de maior tensão.

Para evitar o conflito tarifário, Lucena sugere que o Brasil identifique os temas prioritários de Washington. Isso permitiria construir propostas que preservem os interesses nacionais, focando em setores como terras raras, sem abrir integralmente o mercado brasileiro.

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