A desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 56% do eleitorado brasileiro nesta segunda-feira (14), segundo levantamento da Quaest. O índice representa um crescimento de 10 pontos percentuais em relação a agosto, quando a rejeição à Corte era de 46%.
A variação ocorre durante o acirramento de uma crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O conflito central envolve a condução de investigações sobre o Banco Master. A pesquisa indica que 37% dos eleitores consideram correta a atuação de Mendonça no caso, enquanto 16% avaliam positivamente a conduta de Moraes.
A queda de confiança foi observada em diversos perfis políticos. Entre os eleitores independentes, a desconfiança subiu de 50% para 65%. No grupo identificado como lulista, a rejeição subiu de 27% para 30%, com queda expressiva naqueles que afirmam “confiar muito” na Corte, que recuou de 41% para 23%.
Entre os eleitores de oposição, a desconfiança permanece alta, atingindo 69% neste mês, contra 73% em agosto. O índice já chegou a 83% em março. Atualmente, apenas 9% dos entrevistados declaram confiar muito no tribunal, enquanto 30% afirmam confiar pouco.
O impasse institucional impactou a pauta do STF, que marcou para esta terça-feira (15) a decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes. A medida segue a revelação, pela Polícia Federal (PF), de diálogos do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça tornou público o relatório policial do caso.
Moraes solicitou à Corte a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, agendou a deliberação deste pedido para a próxima semana. O cenário influenciou a política nacional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou distanciamento de Moraes, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro defendeu o afastamento do ministro.
O estudo ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 13 de setembro em todo o país. A pesquisa possui margem de erro de 2 pontos percentuais, índice de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026.

