O dólar opera próximo da estabilidade nesta quinta-feira (17), cotado a R$ 5,153 às 12h38, enquanto o Ibovespa avançava 0,37%, aos 186.242 pontos, no mesmo horário. O mercado reage ao anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o reajuste de 15,04% no Bolsa Família e às decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O aumento do benefício social, anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, gerou preocupações fiscais. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, afirmou que a medida impacta a demanda e exigirá ajustes no orçamento para o próximo ano, especialmente porque os pagamentos coincidirão com o segundo turno do pleito.
A valorização da Bolsa é puxada principalmente pela Vale, que registrava alta de 1,91% (R$ 74,40) às 12h46. O ambiente externo favorece ativos de risco devido à queda nos rendimentos dos títulos públicos americanos (Treasuries) e ao recuo do petróleo Brent, cotado a US$ 103 com baixa de 2,22%.
Na política monetária, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, na véspera (16). No entanto, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Gabriel Mota, analista da Manchester Investimentos, explicou que a alta nos EUA reduz o espaço para novos cortes de juros no Brasil.
Investidores também acompanham a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que indica empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro, com 47,2%, e o presidente Lula, com 46,8%. A margem de erro é de um ponto percentual. O fortalecimento da candidatura do senador tem favorecido o chamado trade eleitoral, baseado na expectativa de maior rigor fiscal.
Em Wall Street, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq abriram em alta. Fernando Saad Benati, estrategista da Avenue, disse que as projeções de inflação do Fed para 2026 subiram para 3,7%, contra 3,6% previstos em junho.

