O cantor Ed Sheeran perdeu todas as atrações de abertura de sua turnê Loop após a exclusão do rapper Macklemore e a saída voluntária de outros artistas. A crise começou em 4 de setembro, quando Macklemore defendeu a Palestina durante apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
A Messina Touring Group, promotora da etapa americana, informou que locais de apresentação em cidades como Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa não permitiriam o retorno de Macklemore ao line-up. Para evitar o cancelamento total da turnê, que impactaria centenas de milhares de fãs, a empresa decidiu que o rapper não participaria das datas restantes.
Em comunicado publicado no Instagram na segunda-feira (14), Macklemore afirmou que não é vítima da situação, contrastando sua segurança financeira com a realidade dos palestinos. Ed Sheeran declarou que a decisão foi da promotora e disse que, embora escolha não falar publicamente sobre o conflito, possui visões pessoais sobre o tema.
A situação escalou com a saída dos cantores Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e da banda Beoga, que também abririam os concertos. Os artistas manifestaram apoio à causa palestina e criticaram o silenciamento de quem se opõe à opressão. Finneas estava escalado para abrir os shows de Sheeran em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro.
A banda Beoga, que também dividia trechos do repertório de música tradicional irlandesa com o britânico, afirmou ter compromisso com a justiça. Aaron Rowe mencionou a experiência histórica da Irlanda com genocídio e ocupação violenta para justificar a decisão. Sheeran não comentou a saída desses demais artistas.
O impasse ocorre enquanto um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que Israel alvejou crianças deliberadamente na Faixa de Gaza. Segundo o relatório de junho, cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra, aproximadamente 20 mil crianças, configuram crimes de guerra e genocídio.

