Os Emirados Árabes Unidos constroem rotas alternativas para exportações de energia e comércio para evitar a dependência do Estreito de Ormuz, região afetada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. O conselheiro presidencial Anwar Gargash afirmou, nesta segunda-feira (7), que a medida visa garantir que a atividade econômica do país não fique refém do conflito.
A decisão ocorre após Teerã disparar mísseis contra o país e atacar navios-tanque no Estreito de Ormuz. Para mitigar os riscos, os Emirados ampliam a capacidade portuária na costa leste e desenvolvem oleodutos, ferrovias e novos corredores comerciais. Gargash declarou no Fórum Hili, em Abu Dhabi, que a reconstrução da confiança com o Irã pode levar décadas.
O conselheiro criticou a falta de uma resposta coordenada entre os Estados árabes do Golfo, afirmando que as nações não transformaram preocupações comuns em uma estratégia unificada. Gargash argumentou que a dependência total de terceiros é arriscada, pois a segurança nacional nem sempre é a prioridade de outros países.
Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, concordou que a parceria estratégica com os Estados Unidos é importante, mas insuficiente. Segundo al-Ansari, a autossuficiência em segurança é o único caminho viável para as nações da região.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz, via que escoa um quinto do suprimento global de energia, o que disparou os preços e gerou crise econômica mundial. Teerã alega que a via pertence ao Irã e à Omã, tese rejeitada pelos Estados do Golfo.
O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Um cessar-fogo preliminar firmado em junho fracassou, e as negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Catar e Paquistão, seguem em impasse.

