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Incêndios e ondas de calor anulam melhorias na qualidade do ar

Carla Fernandes
Última atualização: 7 de setembro de 2026 13:37
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Ondas de calor intensas e incêndios florestais estão dificultando a melhoria da qualidade do ar em diversas regiões do mundo, segundo relatório anual divulgado nesta segunda-feira (7) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas. O documento indica que o aquecimento global favorece a propagação do fogo e a poluição atmosférica.

A redução de poluentes vindos de indústrias e veículos na América do Norte e Europa vem sendo anulada pelo aumento da fumaça de incêndios. O fenômeno é impulsionado por condições climáticas mais secas e quentes. O relatório aponta que a concentração de ozônio ao nível do solo também cresce durante períodos de calor extremo, podendo causar inflamações pulmonares e problemas cardiovasculares.

A OMM alerta para as partículas finas PM2,5, que possuem diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e penetram na corrente sanguínea. Eventos extremos de fumaça triplicaram desde a década de 1990, contribuindo para cerca de 100 mil mortes anuais entre 2010 e 2018. A exposição está ligada a crises de asma, hospitalizações por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e impactos na gestação.

Temperaturas elevadas favorecem reações químicas que elevam o ozônio próximo ao solo. Em áreas altamente poluídas, uma em cada cinco mortes por DPOC estaria associada a essa exposição. O cenário foi observado durante o verão de 2026 no hemisfério Norte, com ondas de calor intensas em várias partes da Europa.

A relação entre clima e poluição é descrita como um ciclo de retroalimentação. Mudanças climáticas geram secas e incêndios que emitem poluentes, os quais, por sua vez, agravam o aquecimento. O carbono negro, ou fuligem, deposita-se sobre a neve e o gelo, reduzindo a reflexão da radiação solar e acelerando o derretimento.

Lorenzo Labrador, cientista da OMM, afirmou que a melhor solução é a redução geral das emissões globais de gases de efeito estufa e da queima de combustíveis fósseis. Segundo o especialista, a qualidade do ar e o clima precisam ser enfrentados conjuntamente por estarem profundamente interligados.

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