O governo de Donald Trump deportou quase 25 mil imigrantes para terceiros países desde o início da atual política migratória dos Estados Unidos. Entre os casos estão brasileiros enviados para a Libéria e Guiné Equatorial, destinos desconhecidos pelos passageiros até o momento do desembarque, conforme apuração da imprensa.
A estratégia consiste em encaminhar imigrantes que não podem ser devolvidos aos seus países de origem para nações dispostas a recebê-los em troca de milhões de dólares. O processo atinge pessoas que pediram asilo alegando riscos de violência ou perseguição política. Países que aceitam os deportados incluem desde democracias, como a Costa Rica, até regimes autoritários, como a República Centro-Africana e El Salvador.
Uma mineira de 21 anos relatou ter sido levada para a Libéria após um ano e três meses de detenção pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Durante o voo de 16 horas, permaneceu algemada nos pés, mãos e cintura. Ela afirmou ter sido ameaçada com o uso de força quando questionou o destino da viagem antes de embarcar.
Outro caso envolve um pernambucano enviado para a Guiné Equatorial. Ele relatou que o grupo original deveria ter sido entregue à Libéria, mas, após a recusa do governo local e agressões durante o desembarque, a aeronave pousou na Guiné Equatorial. O homem permanece hospedado em um hotel sob vigilância de policiais armados e encapuzados.
O Ministério das Relações Exteriores informou que não foi notificado sobre a mineira, mas declarou que já tem ciência da situação do pernambucano desde quarta-feira (2). Segundo o Itamaraty, o brasileiro apresenta boas condições de saúde e deve receber a visita do embaixador brasileiro.
A organização Human Rights First afirma que a estratégia visa provocar medo entre imigrantes para pressioná-los a deixar os Estados Unidos voluntariamente. O governo americano teria firmado acordos com mais de 35 países para viabilizar essas transferências.
Em Los Angeles, outro brasileiro tenta evitar a deportação para a África. Detido em Adelanto, na Califórnia, ele busca ser enviado ao Brasil, onde acredita estar mais seguro do que há dez anos, quando deixou o país alegando perseguição por ser homossexual.

