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Facções endurecem controle na Maré com barricadas e restrições a moradores

Carla Fernandes
Última atualização: 29 de setembro de 2026 11:19
Carla Fernandes
Tempo: 5 min.

Moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, enfrentam um endurecimento das fronteiras impostas por grupos criminosos, com novas barricadas, pontos de vigilância armada e restrições para circular entre comunidades. A tensão também chegou às vias da região, onde há relatos de roubos de carros e caminhões por homens armados com fuzis, segundo apurações da Polícia Civil e relatos de moradores publicados pela imprensa local.

As apurações indicam que a Maré ocupa posição estratégica para o Terceiro Comando Puro (TCP), tanto pela estrutura mantida pela facção no território quanto pela localização próxima a corredores viários importantes da cidade. Dentro do complexo, a divisão entre áreas controladas por grupos rivais passou a interferir diretamente na vida da população. Moradores da Nova Holanda e do Parque União, por exemplo, enfrentam limitações para atravessar determinados territórios.

As restrições alcançam tarefas cotidianas. Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, moradores podem ser impedidos de fazer compras em estabelecimentos situados em áreas sob domínio de uma facção rival. O transporte também é afetado: vans que circulam pelo Parque União conseguem passar por alguns trechos, mas não podem realizar paradas em determinados pontos. O descumprimento das regras impostas pelos criminosos pode resultar em punições.

O reforço do controle territorial aparece fisicamente nas ruas. Na Baixa do Sapateiro, moradores relatam a instalação de barricadas no Largo IV Centenário. A Rua Nova Jerusalém, que separa a Baixa do Sapateiro da Nova Holanda, também passou a contar com obstáculos. No trecho está localizada a Escola Municipal IV Centenário. Outro ponto afetado é a Avenida Guilherme Maxwell, ligação entre a região próxima à Passarela 7 da Avenida Brasil e a Linha Amarela, que dá acesso ao Museu da Maré.

Homens portando fuzis passaram a abordar carros e caminhões de carga em vias da região, e os veículos seriam levados para dentro do complexo após os roubos. Em uma etapa da Operação Torniquete realizada na região, a Polícia Civil investigou um esquema envolvendo roubos de cargas e veículos, receptação e lavagem de dinheiro. Na ocasião, oito veículos foram recuperados. Em outra operação, em junho deste ano, as polícias Civil e Militar recuperaram 49 veículos, entre 27 carros e 22 motocicletas, com 25 presos e apreensão de cinco fuzis, duas pistolas, drogas e dinheiro.

Criminosos armados também passaram a ocupar pontos estratégicos para acompanhar a movimentação nos acessos às comunidades, como próximo à UPA CF Adib Jatene, na Avenida Bento Ribeiro Dantas, diante da Linha Amarela. Há ainda relatos de invasões de residências por usuários de drogas, que levariam objetos para trocar por entorpecentes, e pressão para que moradores não comuniquem roubos às autoridades, diante do temor de represálias.

Parte das mudanças é associada por moradores ao período posterior à morte de Thiago da Silva Folly, conhecido como TH da Maré, durante uma operação do Bope em 13 de maio de 2025. Após a morte de TH, Michel de Souza Malveira, o Mangolê, e Bill da Maré passaram a exercer influência na região, segundo relatos publicados pelo jornal. A partir dessa reorganização, teriam sido instaladas barricadas em locais anteriormente livres, além da autorização para a venda de crack em determinados pontos.

As investigações da Polícia Civil apontam que o papel da Maré ultrapassa o domínio territorial dentro do Rio. Comunidades do complexo estariam sendo usadas para abrigar criminosos vindos principalmente da Bahia e do Ceará. Segundo a apuração, o TCP mantém conexões com o Bonde do Maluco (BDM), da Bahia, e os Guardiões do Estado (GDE), do Ceará. A polícia investiga ainda a presença de integrantes do PCC na Maré e a realização de encontros entre membros de diferentes grupos criminosos, além da exploração econômica do Baile da Disney, incluindo a venda de produtos provenientes de cargas roubadas.

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