Um bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, com gesto de dedo em riste, marcou o encerramento da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). O episódio ocorreu pouco antes do pedido de vista do ministro Flávio Dino, que interrompeu o julgamento sobre os desdobramentos do caso Master.
A sessão foi caracterizada por um clima de tensão e silêncio incomum no plenário. O uso de aparelhos celulares foi proibido para a plateia, composta majoritariamente por assessores e jornalistas, enquanto o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, acompanhou os trabalhos na primeira fila sob forte vigilância da Polícia Judicial.
Durante a manhã, o presidente do STF, Edson Fachin, leu o relatório do processo. O clima de constrangimento surgiu quando o ministro Kassio Nunes Marques anunciou seu impedimento para participar do julgamento. Na sequência, o ministro Dias Toffoli também declarou suspeição após uma intervenção de Flávio Dino que gerou a primeira discussão explícita com Fachin.
O ambiente oscilou entre momentos de descontração e divergências procedimentais. No intervalo, houve risadas e abraços entre Dino e Fachin, mas a trégua terminou na retomada dos trabalhos, por volta das 15h30. A tensão recresceu quando Dino mencionou novas sanções impostas pelos Estados Unidos a integrantes da Corte, momento em que auxiliares entregaram pastas com reportagens recentes sobre o tema.
O conflito atingiu o ápice nos minutos finais, quando Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram a discussão. Mendonça reagiu imediatamente ao gesto de Gilmar, pedindo que o decano não apontasse o dedo para ele. Logo após o embate, Dino solicitou vista do processo, suspendendo a decisão.
Ao final da sessão, por volta das 18h15, a ministra Cármen Lúcia tentou distender o clima com uma história, provocando risadas. André Mendonça foi o último a deixar o plenário, saindo sozinho, enquanto Dino deixou o local abraçado a Toffoli.

