O ministro Gilmar Mendes e o ministro André Mendonça trocaram ofensas nesta terça-feira (15) durante julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). O conflito ocorreu enquanto a Corte analisa se a Polícia Federal (PF) pode prosseguir com investigações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Gilmar Mendes afirmou ser evidente que Mendonça conduziu o inquérito de forma enviesada, com viés político-eleitoral. Durante a discussão, Mendes declarou que a escolha de datas, como o 7 de Setembro, envolveu a Corte em campanha eleitoral de forma indevida. Em resposta, Mendonça chamou o colega de leviano e pediu que ele respeitasse o Tribunal.
O embate culminou com a frase de Gilmar Mendes afirmando que quem não se dá respeito não merece respeito, após Mendonça ordenar que o decano não apontasse o dedo para ele. O episódio aconteceu no início do julgamento sobre um relatório da PF que indica a interlocução entre Moraes e Vorcaro, investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.
O documento, tornado público por Mendonça em 1º de setembro, afirma que Vorcaro solicitou interferência de Moraes nas investigações antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O relatório também menciona contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
A Procuradoria Geral da República (PGR) manifestou-se em 1º de setembro contra a validade do procedimento da PF. Segundo a PGR, Mendonça determinou diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF, além de não ter encaminhado a investigação contra um ministro à Presidência do Tribunal.
Paralelamente, Alexandre de Moraes pediu a investigação de André Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O caso, agora sob relatoria do presidente do STF, ministro Edson Fachin, baseia-se em relatório de inteligência da PF que sugere que Mendonça direcionou as apurações contra Moraes. Fachin marcou o julgamento deste processo para o dia 23 de setembro.

