O Governo da Espanha desclassificou e publicou nesta terça-feira (8) cerca de 40 documentos secretos relacionados à crise migratória em Ceuta. A medida, anunciada pelo presidente Pedro Sánchez, visa comprovar que as autoridades não foram avisadas previamente sobre a maior entrada de imigrantes da história da região.
A decisão foi formalizada pelo Conselho de Ministros. Segundo a porta-voz Elma Saiz, os arquivos estão limitados a um período temporal específico, encerrando-se no dia 1 de agosto. A data corresponde ao dia seguinte ao fluxo migratório ocorrido nos dias 30 e 31 de julho.
Naquelas datas, mais de 70 mil imigrantes entraram em Ceuta. O volume de pessoas caracteriza o episódio como o maior salto registrado na história da localidade.
O objetivo político da divulgação é desmentir a tese defendida pela oposição. O grupo alega que o governo espanhol, especialmente o Ministério do Interior, teria ignorado avisos emitidos pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) e por outros organismos sobre o risco de uma invasão massiva.
A narrativa da oposição contou com o apoio da ministra da Defesa, Margarita Robles. Com a publicação dos documentos, o governo busca demonstrar que não houve negligência diante de alertas de inteligência.

