Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e os Termos de Uso.
OK
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Procurar
© 2024 - BRASIL EM FOLHAS S/A
Leitura: Justiça do Peru reconhece rio amazônico como sujeito de direitos
Notificação Mostrar mais
Font ResizerAa
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Font ResizerAa
Procurar
Have an existing account? Sign In
Follow US
© 2024 BRASIL EM FOLHAS S/A

Justiça do Peru reconhece rio amazônico como sujeito de direitos

Carla Fernandes
Última atualização: 8 de setembro de 2026 15:19
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A Corte Superior de Justiça do departamento de Loreto, no Peru, reconheceu o rio Marañón como sujeito de direitos, garantindo ao curso d’água o direito de existir, fluir livremente e permanecer livre de contaminação. A medida abrange 1.414 quilômetros do rio, desde a confluência com os rios Chinchipe e Utcubamba.

A decisão judicial ocorreu após mulheres do povo indígena kukama processarem o Estado peruano em 2021. A ação questionava a falta de manutenção do Oleoduto Norperuano e cobrava reparações por um derramamento de petróleo ocorrido no ano 2000. Segundo Juan Carlos Ruiz Molleda, do Instituto de Defesa Legal (IDL), 85% das proteínas consumidas pelos kukama vêm dos peixes do rio.

O Oleoduto Norperuano opera desde 1977 e liga a região de Loreto ao departamento de Piura. Embora existam 139 derramamentos registrados oficialmente, um estudo da Oxfam Peru publicado em 2025 indica que o número real chega a 1.462 ocorrências em 26 anos. A estatal Petroperú, que opera a infraestrutura, costuma atribuir os vazamentos a terceiros.

Freddy Cuimian, líder tradicional dos kukama, relatou três derramamentos na comunidade de Tunduza nos últimos três anos. A empresa Sumak Remediations foi contratada para realizar a recuperação de três igarapés em um prazo de quatro meses. Cuimian afirmou que a água desses canais não servirá para consumo por pelo menos 20 anos.

Além da poluição, o rio enfrenta a ameaça de um projeto de irrigação do Ministério da Agricultura, que pretende transpor as águas do Marañón para o litoral do Pacífico. Ruiz Molleda explicou que a construção de barragens impediria a chegada de sedimentos minerais essenciais para a fauna aquática e o ciclo de cheias e vazantes do rio.

A aplicação da visão biocêntrica, que atribui valor intrínseco aos elementos da natureza, já é utilizada em rios como o Atrato, na Colômbia, e o Biobío, no Chile. No entanto, Gustavo Hernández, pesquisador da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, afirmou que a Petroperú e o governo peruano resistem à implementação da proteção no Marañón.

Notícia Anterior Governo da Espanha publica documentos secretos sobre crise em Ceuta
Próximo notícia Prefeitura do Rio expande Força Municipal para Santa Cruz
Banner
Portal de notícias Brasil em FolhasPortal de notícias Brasil em Folhas
Follow US
© 2024 BRASIL EM FOLHAS S/A
Bem vindo de volta!

Faça login na sua conta