O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (14) com queda de 0,91%, aos 185.500,88 pontos, pressionado pela fuga de risco nos mercados internacionais. O movimento foi impulsionado pelos preços elevados do petróleo e por preocupações com o futuro de empresas de inteligência artificial, resultando em um giro financeiro de R$ 17 bilhões.
O dólar fechou cotado a R$ 5,1479, alta de 0,44%. A moeda chegou a atingir R$ 5,1830 durante a manhã, momento de maior estresse global, mas reduziu o ritmo de subida à tarde após o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizar disposição em negociar um acordo com o Irã e mencionar trégua entre Ucrânia e Rússia em infraestruturas energéticas.
O petróleo Brent para novembro subiu 1,02%, fechando a US$ 105,68 o barril. A alta foi motivada por ataques ao oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita. Segundo Diego Barnuevo, analista da Ebury, a interrupção da rota elevou os preços do bruto e pesou sobre as bolsas mundiais, renovando receios sobre a inflação global.
Investidores também reagiram a declarações de Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk, dono da SpaceXAI, sobre riscos do avanço acelerado da inteligência artificial. Bruno Ponciano, assessor da InvestSmart, afirmou que as falas de empresários do setor geraram aversão ao risco, impactando o desempenho de companhias tecnológicas que atraíram capital para os EUA.
No cenário interno, a pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 40% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do resultado, a bolsa manteve a queda. Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena, disse que incertezas institucionais ligadas ao caso Vorcaro e ao Banco Master limitam efeitos positivos de eventuais reduções da Selic.
Os juros futuros na B3 também fecharam em alta. A taxa do DI para janeiro de 2027 oscilou para 13,585%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 subiu para 14,140%. O mercado aguarda a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15) para decidir sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

