O governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), estão tecnicamente empatados na disputa pelo governo da Bahia, segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada em 9 de setembro. O levantamento registrou 45% das intenções de voto para Jerônimo e 44% para ACM Neto no primeiro turno, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A competitividade do pleito estadual contrasta com a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. Na mesma pesquisa, Lula concentra 55% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) soma 24%. O cenário indica que a força eleitoral do presidente não é transferida integralmente para o candidato do PT ao governo.
Marco Antônio Teixeira, coordenador da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), explicou que o prestígio pessoal de Lula na Bahia é superior à força do PT local. Segundo o professor, quando a liderança regional não possui o mesmo apelo, parte do eleitorado não transfere automaticamente o voto. A estratégia de Jerônimo, afirmou Teixeira, é tentar associar ACM Neto a Flávio Bolsonaro.
O governador baseia sua força no interior, onde conta com o apoio de mais de 300 prefeitos de legendas como PSD, PP, MDB e PCdoB. Já ACM Neto possui maior influência em Salvador e na região metropolitana, contando com a aliança do atual prefeito da capital, Bruno Reis (União). A professora de Ciência Política da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Maria Inês Caetano Ferreira, disse que a vantagem petista é maior em cidades pequenas.
ACM Neto contratou João Santana, ex-marqueteiro de Lula, para comandar sua campanha. Ele busca unificar o voto de centro-direita, incorporando eleitores que em 2022 votaram em João Roma (PL), que agora integra sua chapa ao Senado. O ex-prefeito nega incentivar seus eleitores a votar em Flávio Bolsonaro, embora bandeiras de apoio ao senador tenham aparecido ao lado de sua imagem em manifestações no dia 7 de setembro.
Na disputa pelo Senado, Rui Costa (PT) lidera as pesquisas. No levantamento da Real Time Big Data, Costa aparece com 26%, seguido por Jaques Wagner (PT) com 19%, João Roma com 17% e Angelo Coronel (Republicanos) com 15%.

