Uma pesquisa AtlasIntel realizada entre 17 e 21 de setembro indica que 60,5% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment do ministro Dias Toffoli e 49,8% apoiam o afastamento de Alexandre de Moraes. Os números refletem a parcela da população que considera haver indícios suficientes para a remoção imediata dos magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF).
A queda na percepção pública ocorre após revelações sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Relatórios da Polícia Federal (PF) detalham mensagens em que o banqueiro pedia auxílio a Moraes em investigações. O documento aponta que o ministro teria editado a minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre a instituição e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
A apuração indica ainda um segundo contrato de R$ 50 milhões com o escritório, pago via transferência de cotas de duas aeronaves em uma sociedade oculta. Em outubro de 2025, o banco teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, a pedido da mãe.
No caso de Toffoli, o envolvimento ocorre por meio do resort Tayayá, no Paraná. O empreendimento, formalmente de familiares do ministro, tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Toffoli deixou a relatoria da Operação Compliance Zero após a revelação da relação econômica com o banqueiro, e o caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça.
Outros magistrados também foram citados em diálogos de Vorcaro. Mensagens indicam o pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques. No caso de Luiz Fux, conversas mostram reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília entre o banqueiro e o filho do ministro, Rodrigo Fux.
André Mendonça admitiu reunião com Vorcaro na sede de seu instituto educacional, sociedade da qual deixou após a repercussão. Gilmar Mendes confirmou encontro com o banqueiro e dois advogados para tratar de causa bilionária. A PF aponta que o ex-cunhado de Gilmar, Chiquinho Feitosa, firmou contrato com empresa usada para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.
O levantamento ouviu 1.852 brasileiros por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

