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Quase metade dos médicos de UTIs no Brasil tem esgotamento mental

Carla Fernandes
Última atualização: 15 de setembro de 2026 18:58
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Quase metade dos médicos que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil apresenta alto nível de esgotamento mental e emocional, segundo levantamento realizado com 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal. O estudo aponta que 48,5% dos entrevistados enfrentam esse quadro, considerado um fator de risco para o diagnóstico de burnout.

A apuração indica que quase oito em cada dez médicos de UTIs necessitam de atenção à saúde emocional. Além do grupo com alto esgotamento, 31,2% dos profissionais apresentaram nível moderado e 20,3% registraram baixo esgotamento. Outro dado relevante é que 46,4% dos intensivistas manifestaram baixo grau de satisfação com as atividades profissionais.

Sobre a vida pessoal, 54,2% dos médicos mostraram pontuação abaixo da média considerada satisfatória. O levantamento explica que a insatisfação com a vida não determina sozinha os níveis de burnout, mas é um dos aspectos analisados para o diagnóstico, juntamente com a despersonalização, que ocorre quando o profissional se torna emocionalmente distante do trabalho como mecanismo de defesa.

O cenário reflete uma tendência nacional de alta nos diagnósticos de esgotamento. Entre 2023 e 2025, o número de afastamentos do trabalho por períodos superiores a 15 dias devido a problemas de organização do modo de vida subiu de 1.760 para 6.985, um aumento de 296%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout na CID-11 como um fenômeno ocupacional resultante de estresse crônico no ambiente profissional não administrado adequadamente. A entidade ressalta que o termo não é classificado como doença ou condição médica, mas descreve um fenômeno relacionado ao trabalho, não devendo ser usado para exaustões em outras áreas da vida.

O quadro é caracterizado por três dimensões: falta de energia, distanciamento mental com sentimentos de cinismo e redução da eficácia profissional. Os sinais práticos incluem cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono e queixas físicas, como dores de cabeça e problemas gastrointestinais.

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