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Rio concentra 53% dos roubos de carga do Brasil

Carla Fernandes
Última atualização: 24 de setembro de 2026 06:20
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O estado do Rio de Janeiro concentrou 53% dos roubos de carga registrados no Brasil nos oito primeiros meses de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O prejuízo financeiro atingiu R$ 201,1 milhões, alta de 39% em comparação ao mesmo período de 2025, quando as perdas foram de R$ 144,4 milhões.

A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Polícia Civil (DRFC) registrou 2.084 ocorrências este ano. O volume de crimes vem caindo desde março, mês em que houve o pico de 397 casos. Em agosto, as delegacias receberam 130 registros, o menor patamar para esse mês em mais de duas décadas. A Polícia Civil atribui o resultado a ações de inteligência e cooperação com a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal.

Dados do Ministério da Justiça indicam que o Rio soma 2.566 ocorrências até agosto, superando os 1.636 casos de São Paulo. O presidente do Sindicarga, Filipe Coelho, afirmou que a diferença ocorre por falta de padronização na classificação dos crimes e disse que a entidade reivindicará ao órgão federal a unificação dos dados, dado que São Paulo possui maior volume de cargas.

O diretor da DRFC, André Prates, explicou que o roubo de carga é fonte de lucro para o tráfico, que oferece armas, veículos e suporte territorial para o transbordo de mercadorias em troca de comissões. Segundo o delegado, as quadrilhas utilizam desde infiltrados em empresas de monitoramento e rondas em locais de pernoite até abordagem aleatória de caminhões.

A DRFC aponta que produtos alimentícios continuam sendo os mais visados pela facilidade de revenda, embora haja preferência crescente por itens de alto valor, como medicamentos. Em 21 de maio, um motorista foi rendido em Duque de Caxias e levado a uma comunidade na Penha enquanto criminosos consultavam o destino de uma carga de leite condensado e creme de leite, avaliada em mais de R$ 260 mil.

A reincidência criminal é apontada como um entrave. O Sindicarga analisou 100 processos judiciais de três anos e constatou que 158 dos 168 réus eram reincidentes, o que representa 94% do grupo. Coelho afirmou que a maioria dos criminosos deixa a prisão antes de dois anos. O delegado Prates informou ainda que quadrilhas passaram a aliciar adolescentes para entrar em veículos pelas janelas, driblando sistemas de bloqueio de portas.

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