A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer usar o recuo de Flávio Bolsonaro (PL) em relação à PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 para desgastar o adversário. A aprovação do texto, prevista para esta quarta-feira, é vista como fôlego para o petista a 11 dias do segundo turno.
Indagado nesta terça-feira se Lula poderia ir ao Senado para acompanhar a votação, o senador Camilo Santana (PT-CE), que integra a coordenação da campanha, não descartou a hipótese. Desde que o texto chegou ao Senado, Flávio e aliados atuaram para evitar o avanço da proposta, diante da avaliação de que a pauta é uma bandeira do governo Lula e pode trazer benefícios eleitorais ao petista.
Na véspera do primeiro turno, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou que levaria o tema à votação no plenário, num gesto ao petista. Desde então, integrantes do PL passaram a discutir estratégias para evitar a votação — chegou a ser considerado esvaziar a sessão para não haver quórum.
Nesta terça, Flávio mudou o discurso e declarou apoio à medida. “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou. Ele defende que os trabalhadores negociem jornadas flexíveis com seus empregadores.
Aliados de Lula dizem que a campanha deverá reforçar o recuo para desgastá-lo. Um integrante da coordenação afirma que a estratégia busca apresentar o senador como um político que atua contra os direitos dos trabalhadores e que, se eleito, poderá acabar com conquistas como os programas sociais.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que integra a coordenação da campanha presidencial, disse que Flávio traiu o compromisso assumido com empresários. “É um sujeito que não tem palavra. Aparentemente ele pediu autorização para falar sobre esse tema após visitar o pai. Mostra que ele não tem escrúpulos”, declarou.
O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) publicou nas redes sociais para expor o recuo: “Essa historinha do Flávio não vai colar! Eles se assustaram com as ruas e as redes e agora recuam”, escreveu.

