Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam monitorar episódios de possível interferência no Grok, IA da xAI, de Elon Musk, e no X. Avaliam, porém, que o alcance é mínimo e que, por isso, o foco das ações é a Meta. Segundo a campanha, 90% da interferência monitorada vem da empresa de Mark Zuckerberg.
Na quarta-feira (14), o líder do PT no Senado e porta-voz da campanha, Camilo Santana, disse que a Meta favorece Flávio Bolsonaro (PL) na IA do WhatsApp. Ao pedir uma bandeira de Lula (13), a ferramenta não a mostra, mas exibe a de Flávio Bolsonaro (22). Na busca por “exército do Lula”, sugere a página da “tropa do Flávio”. O inverso, segundo ele, não acontece.
A campanha afirma ainda que o perfil de Lula ficou por horas sem o botão de repostar e teve falhas nos Stories. Camilo disse que a Meta reconhece falhas técnicas, mas não dá transparência. Segundo ele, o site da campanha recebeu mais de 2.500 denúncias de cidadãos em 3 dias.
O caso será levado à OEA (Organização dos Estados Americanos) e à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados). Na quinta-feira (15), a campanha reunirá os observadores internacionais credenciados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A Meta nega as acusações. Em nota, disse que as alegações são falsas e que cumpre as normas eleitorais. O marqueteiro da campanha, Sidônio Palmeira, ligou a suspeita de interferência aos Estados Unidos. Citou o Brexit como exemplo e disse que a Meta sempre beneficiou a “extrema-direita”. “Estão objetivamente interferindo nas eleições dos brasileiros”, declarou ao afirmar não ter dúvidas sobre o interesse norte-americano no pleito interno.
Na quarta-feira (14), a campanha se reuniu com representantes de partidos e entidades de defesa da democracia de mais de 12 países. Camilo afirmou que o objetivo é fazer a denúncia ser repercutida em parlamentos e na imprensa dessas nações. Questionado sobre quais países participaram, citou Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Colômbia, Moçambique, Guatemala, Honduras, Uruguai, Venezuela, Chile e Espanha.
O governo defende desde o início do ano regras mais rígidas para as big techs e alerta para os riscos da influência dos algoritmos nas eleições. Em abril, na Espanha, Lula criticou o que chamou de “colonialismo digital” e defendeu medidas para evitar interferência externa. Em maio, o governo editou decretos que ampliaram a responsabilização das plataformas digitais.

