O número de focos de incêndio no Amazonas mais que dobrou em 2026, com 7.815 registros entre 1º de janeiro e 12 de outubro, alta de 116% ante o mesmo período de 2025, quando foram 3.611. Os dados são do Programa Queimadas, do Inpe, e foram obtidos por imagens de satélite.
Quase um terço (31%) dos focos registrados desde 13 de setembro estava em cidades da região metropolitana de Manaus. Autazes teve 313 focos, seguida por Itacoatiara (200), Careiro da Várzea (134) e Manacapuru (133).
A maioria das queimadas, porém, concentrou-se na região das fronteiras sul e sudeste do estado, a mais desmatada. Nos últimos 30 dias houve picos em Lábrea (379 focos), Novo Aripuanã (311), Boca do Acre (298), Manicoré (153), Humaitá (118) e Apuí (95).
“Grande parte dos focos está acontecendo em municípios ao longo do trecho da BR-319 que leva a Manaus. É claramente um processo de ocupação”, avaliou Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa da Amazônia). Das 18 cidades sob influência da rodovia, apenas seis não estão entre as líderes em focos no último mês.
No fim de semana, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas afetadas e afirmou que focos no meio da mata indicam incêndios criminosos. Em nota divulgada na noite de segunda-feira (12), a pasta afirmou que o governo federal mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate às queimadas no estado.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas afirma ter atuado em 21.690 focos desde junho, sendo 4.526 em Manaus e o restante no interior. O governo estadual disse nesta terça (13) que mantém ações de prevenção e combate desde fevereiro, com cerca de mil profissionais, e atribuiu o cenário à estiagem e ao El Niño.
Apesar da alta, o número deste ano está 12% abaixo da média histórica do Inpe, iniciada em 1998, e é 67% menor que os 23.475 focos do mesmo intervalo de 2024, quando uma seca sem precedentes atingiu a região. Em toda a amazônia, os focos cresceram 58% ante 2025, indo de 23.489 para 37.035, mas seguem 53% abaixo da média histórica.
Alencar disse que alertas sobre o perigo das queimadas e ações preventivas ajudaram a reduzir os índices. “A tendência é que os incêndios continuem, porque agora a seca vai se estabelecer nessa região”, afirmou, lembrando que a floresta não pega fogo sozinha. “Pode até estar muito seco, mas, se não tiver pessoas usando o fogo, a floresta não vai queimar.”

