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Indústria eleva dependência de bancos tradicionais para obter crédito

Carla Fernandes
Última atualização: 16 de outubro de 2026 14:27
Carla Fernandes
Tempo: 4 min.

A indústria brasileira aumentou sua dependência de bancos comerciais tradicionais na hora de contratar ou renovar créditos de curto e médio prazo este ano. Segundo dados de uma sondagem especial de acesso ao crédito feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 65,3% das empresas do setor que buscaram crédito entre fevereiro e julho recorreram aos “bancões” – no ano passado, esse percentual foi de 61%.

No caso do crédito de longo prazo (acima de cinco anos), os bancos comerciais tradicionais também seguiram como a principal fonte de recursos, apontada na sondagem por 49,5% das empresas do setor que buscaram crédito nessa modalidade. Em 2025, a participação dos bancos comerciais nesse tipo de operação chegou a 51%.

Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, comentou em nota que recorrer mais aos bancos comerciais tradicionais do que a outras fontes de financiamento não é, por si só, um problema. A dificuldade, segundo ela, é encontrar crédito com custo, volume e prazo adequados para as necessidades das empresas.

Ela sugere que é preciso haver diversificação das fontes de financiamento. “O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de crédito para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com maior facilidade, fontes de financiamento que atendam às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas a expansão de capacidade produtiva”, disse.

Segundo a pesquisa, o capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto/médio prazo mais citada pelas empresas industriais (23,6%) que buscaram crédito no período, enquanto os bancos de desenvolvimento foram a terceira (18,5%). No financiamento de longo prazo, essa ordem se inverte. Enquanto os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% dos empresários que buscaram crédito nessa modalidade, o capital próprio foi mencionado por 23,1%.

Para a maioria das empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito, o valor aprovado foi similar ao solicitado, mostrou a sondagem. No crédito de curto/médio prazo, 62,1% receberam o montante que necessitavam. No crédito de longo prazo, esse percentual foi de 61%. Por outro lado, aproximadamente uma em cada quatro empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito de curto/médio prazo (24,9%) relatou que o volume aprovado foi menor ou muito menor do que necessitava.

Na análise por porte, as pequenas empresas apresentaram os maiores percentuais de insuficiência dos valores aprovados. No crédito de curto/médio prazo, 33,3% delas receberam recursos inferiores às suas necessidades, percentual que chegou a 34,4% no crédito de longo prazo. “As pequenas empresas têm mais dificuldade para apresentar garantias exigidas pelas instituições financeiras para conceder o crédito, comprovar capacidade de pagamento, além de terem menor poder de barganha para negociar as condições de financiamento”, avalia Colusso.

Os empresários também foram questionados sobre as condições de acesso ao crédito. Entre as empresas industriais que renovaram suas linhas de curto/médio prazo no período, 53,9% apontaram que as condições gerais da operação permaneceram semelhantes. No entanto, 24,8% apontaram que as condições de renovação foram piores ou muito piores, ao passo que 19,7% relataram condições melhores ou muito melhores.

De acordo com a pesquisa, metade das empresas industriais (49,9%) não buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período. Somente 22,9% contrataram ou renovaram financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram obter os recursos. Em relação ao crédito de longo prazo, a proporção de empresas que não tentaram contratar ou renovar foi ainda maior: 54%. A CNI consultou 1.701 empresas — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre 3 e 12 de agosto.

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