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Leitura: Licença-paternidade melhora desenvolvimento cerebral de crianças
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Licença-paternidade melhora desenvolvimento cerebral de crianças

Carla Fernandes
Última atualização: 10 de outubro de 2026 11:34
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Licença-paternidade não deveria ser tratada como benefício corporativo, mas como parte dos cuidados médicos de rotina, afirma pesquisa que associa envolvimento paterno nos primeiros meses a melhores resultados cognitivos, sociais e emocionais em crianças. Os EUA seguem sem garantia federal de licença remunerada para pais.

Revisão de estudos conduzida por Sarah Schoppe-Sullivan, pesquisadora da Universidade Estadual de Ohio, aponta que crianças com envolvimento paterno positivo e sustentado apresentam melhores relacionamentos com pares, escores mais altos em testes de inteligência, maior prontidão para matemática e linguagem e formação de apego mais seguro.

Os efeitos aparecem já na pré-escola e podem se estender até a vida adulta, segundo a revisão. Os dados são correlacionais, mas indicam que a presença do pai nos primeiros meses de vida atua em uma janela crítica de desenvolvimento.

Uma das vias desse benefício é a qualidade da brincadeira. O pesquisador canadense Daniel Paquette observou que o jogo paterno frequentemente envolve excitação, surpresa e desafio, base para habilidades como tomada de risco, eficácia pessoal e autodefesa.

Crianças com envolvimento paterno consistente têm melhores resultados em domínios de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e problemas de comportamento. A regulação emocional, indicador de prontidão escolar, também se beneficia.

Em países que adotaram política de licença parental ‘use ou perca’ — em que parte do benefício é reservada exclusivamente ao pai — a adesão cresceu. Na Islândia, 15% dos pais usaram a licença em 1998; em 2002, mais de 80%. A Espanha registrou aumento de 400% entre 2000 e 2007.

Na Alemanha, após a substituição do pagamento fixo por benefício baseado na renda e a reserva de dois meses para os pais, a adesão subiu de 3,5% em 2006 para 24,8% em 2021.

Nos EUA, onde a licença existe, muitas vezes não é remunerada nem garantida, e mães não podem transferir parte da licença-maternidade ao pai. A maioria dos novos pais volta ao trabalho em até uma semana após o nascimento do filho.

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