O Rio de Janeiro concentra os maiores bolsões de abstenção do país no primeiro turno, e a geografia desses faltosos desenha um cenário eleitoral específico para o segundo turno: dos dez bairros da capital com maior proporção de ausentes, oito deram vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio Bolsonaro (PL) liderou, porém, nas regiões com maior número absoluto de faltantes.
No estado, 23,32% dos eleitores aptos não compareceram às urnas, o segundo maior índice proporcional do país. A capital registrou 26,12%, a maior taxa entre as capitais. Nacionalmente, 33 milhões de pessoas deixaram de votar no primeiro turno.
Na Ilha de Paquetá, 32% dos eleitores faltaram, o maior índice da capital. Lula venceu na ilha. O petista também foi o mais votado em Copacabana, onde 31% não foram às urnas. A Zona Sul concentra outros bairros com alta abstenção, como Ipanema, Leblon e Urca, áreas com grande percentual de idosos segundo o Censo 2022.
Lula também venceu em Bonsucesso e Lins de Vasconcelos, no subúrbio, com cerca de 30% de abstenção. Já em Acari, na Zona Norte, com 31% de faltosos, Flávio venceu. O bairro enfrenta histórico de enchentes e uma obra federal de R$ 430 milhões promete acabar com os alagamentos. Ricardo de Albuquerque, que fecha o ranking dos dez bairros com maior abstenção, também deu vitória ao senador.
O cientista político Josué Medeiros, coordenador do Observatório Político e Eleitoral (Opel) da UFRJ, atribui parte do recorde de abstenção às mudanças de seções eleitorais feitas pelo Tribunal Regional Eleitoral. Ele prevê redução no segundo turno, com um único voto, menos filas e a prova de vida do INSS para idosos. Medeiros estima que 5% a 10% do eleitorado que votou com menos certeza pode mudar de voto.
A eleição para governador foi decidida no primeiro turno, com a vitória de Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj. O PT perdeu cerca de 150 mil votos nas cidades fluminenses em relação a 2022, enquanto Flávio ganhou 135 mil na comparação com o pai. A campanha petista aposta em ruas, redes e núcleos de militância, segundo a vereadora Tainá de Paula (PT).
Flávio tem Ruas como coordenador de campanha no Rio. O deputado estadual Jorge Felippe Neto (PL) afirma que o foco é mostrar aos indecisos que a eleição é um plebiscito sobre o governo atual. O senador fez motocarreata em São Gonçalo, terceiro maior colégio eleitoral do estado, que teve 153 mil ausentes (23,46%).

