O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta quinta-feira (15) a retirada de publicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) que acusavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de menosprezar garis. A decisão, liderada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, derrubou o entendimento anterior do ministro André Mendonça, que havia negado o pedido da campanha petista.
Na decisão, o TSE considerou que os conteúdos divulgados por Flávio exibiam apenas parte de uma declaração feita por Lula durante ato de campanha em Belo Horizonte, no dia 29 de setembro. No trecho publicado, o presidente afirmava que a profissão de gari era vista como pouco valorizada socialmente. “Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar”, declarou Lula.
As publicações, porém, omitiram a continuação do discurso, em que o petista exaltava a importância do trabalho desses profissionais. “Eu fico pensando se aquelas pessoas, que fazem a limpeza na rua, soubessem a importância do trabalho deles, se eles soubessem que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar, a gente começa a mudar”, completou Lula.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro acusou o atual presidente de humilhar os trabalhadores e associou o episódio a suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula. Em vídeo, o senador afirmou que os garis voltam para casa “com a cabeça erguida” por garantirem o sustento das famílias e comparou a situação às acusações de que o filho do presidente teria recebido R$ 300 mil em propina de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
O nome de Lulinha apareceu recentemente em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvios e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Até o momento, ele não foi formalmente indiciado. Segundo Nunes Marques, não há fatos comprovados que sustentem o envolvimento dele no esquema, o que justificou a remoção das publicações.
O ministro acompanhou parcialmente o entendimento de Mendonça ao considerar que o uso do trecho do discurso, inclusive pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), integra o debate eleitoral, mesmo quando apresentado fora de contexto. Para ele, o conteúdo atribuiu interpretação desfavorável a Lula, mas não inventou declarações nem colocou palavras não pronunciadas na boca do presidente.
O caso era analisado no plenário virtual do TSE, mas pedido feito por Nunes levou o julgamento ao plenário físico, onde prevaleceu a decisão pela retirada das postagens.

