O governo federal atualizou suas projeções para a dívida pública, prevendo que ela alcance 86% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, primeiro ano da próxima gestão.
O pico da dívida em relação ao PIB deve ocorrer em 2029, quando a estimativa é que atinja 87,8%. Os dados foram apresentados na Proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, divulgada na quarta-feira, 16, pelo Ministério do Planejamento.
Em 2026, último ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida deve chegar a 83,6% do PIB, representando um aumento de quase 12 pontos percentuais em relação ao percentual de 71,7% do PIB registrado em dezembro de 2022, antes da posse de Lula.
A dívida bruta do governo já cresceu em 2,95 trilhões de reais durante o mandato do presidente, conforme dados do Banco Central. Se as previsões se confirmarem, o aumento da dívida pública na terceira gestão de Lula será semelhante ao observado no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que viu a relação dívida-PIB disparar 13 pontos percentuais.
Entre dezembro de 2014 e agosto de 2016, a dívida aumentou de 56,3% para 69,3% do PIB. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, na quarta-feira, 15, uma previsão mais pessimista, estimando que a relação dívida-PIB do Brasil atingirá 100% no ano que vem.
O governo federal atribui a diferença entre as projeções a razões metodológicas nos cálculos. A análise do Planejamento é considerada otimista por agentes do mercado financeiro, que projetam crescimento econômico abaixo de 2,5% a partir de 2027, enquanto o governo trabalha com estimativas superiores a 2,5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central.
Além disso, o PLDO aponta para um superávit efetivo de 8 bilhões de reais nas contas do governo em 2027, o primeiro saldo positivo desde 2022.

