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Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está lúcido, mas com rosto desfigurado

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de abril de 2026 03:30
Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está lúcido, mas apresenta desfiguração facial e se recupera de ferimentos graves resultantes de um ataque que matou seu pai no início da guerra. As informações foram obtidas pela Reuters com três pessoas próximas ao círculo interno do líder.

Além das feridas no rosto, Khamenei também sofreu uma lesão significativa em uma ou nas duas pernas durante um bombardeio ao complexo do líder supremo em Teerã, ocorrido em 28 de fevereiro. Apesar dos ferimentos, o líder de 56 anos participa ativamente das decisões de governo, conforme afirmaram as fontes que pediram anonimato. Ele tem se comunicado em reuniões com autoridades por áudio e continua envolvido nas decisões sobre a guerra e nas negociações com Washington.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as informações sobre a condição de Khamenei. A missão do Irã nas Nações Unidas não respondeu aos questionamentos sobre a gravidade dos ferimentos nem sobre a ausência de imagens públicas do líder. As dúvidas sobre a capacidade de Khamenei de governar surgem em um dos momentos mais críticos do Irã em décadas. As negociações de paz com os Estados Unidos começaram neste sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão.

O paradeiro, a condição física e a capacidade de governar de Mojtaba permanecem em grande parte desconhecidos pelo público. Desde o ataque aéreo e sua nomeação como sucessor do pai, Ali Khamenei, não foram divulgadas fotos, vídeos ou gravações de áudio. Um apresentador da TV estatal descreveu o novo líder como “janbaz”, termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra.

Relatos coincidem com a declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que afirmou em 13 de março que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado”. Uma fonte familiarizada com avaliações da inteligência americana indicou que o líder teria perdido uma perna. Alex Vatanka, pesquisador do Middle East Institute, afirmou que, independentemente da gravidade dos ferimentos, é improvável que o novo líder exerça o mesmo nível de poder que seu pai. Ele destacou que Mojtaba representa continuidade política, mas pode levar anos até que consolide uma autoridade semelhante.

Uma das fontes próximas ao círculo do líder afirmou que imagens de Khamenei podem ser divulgadas em um ou dois meses, e que ele poderá aparecer em público quando as condições de saúde e segurança permitirem. A ausência do líder tem gerado discussões nas redes sociais iranianas e em aplicativos de mensagens, quando a internet do país permite acesso. Teorias da conspiração sobre seu estado de saúde e sobre quem governa o país circulam online.

Apoiadores do governo afirmam que manter o líder fora do público é necessário devido à ameaça de novos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel. Mohammad Hosseini, integrante do Basij, milícia voluntária ligada à Guarda Revolucionária, comentou: “Por que ele deveria aparecer em público? Para virar alvo desses criminosos?”.

No sistema teocrático iraniano, o líder supremo concentra o poder máximo do Estado, sendo escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. O primeiro líder supremo do país, Ruhollah Khomeini, exercia autoridade incontestável após a revolução islâmica. Ali Khamenei, seu sucessor, tinha menor prestígio religioso, mas consolidou poder ao longo de décadas, em parte ao fortalecer a Guarda Revolucionária. Fontes iranianas já haviam indicado que Mojtaba Khamenei não possui o mesmo nível de autoridade absoluta.

Durante a guerra, a Guarda Revolucionária, que apoiou sua ascensão após o assassinato do pai, passou a ter um papel central nas decisões estratégicas. Embora seja visto como alinhado à linha dura do regime, especialistas afirmam que ainda há poucas informações públicas sobre a visão política do novo líder. A primeira comunicação dele aos iranianos ocorreu em 12 de março, por meio de mensagem escrita lida na televisão estatal, na qual afirmou que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado e alertou países da região para encerrarem bases militares americanas.

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Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está lúcido, mas com rosto desfigurado

Amanda Rocha
Última atualização: 11 de abril de 2026 03:30
Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está lúcido, mas apresenta desfiguração facial e se recupera de ferimentos graves resultantes de um ataque que matou seu pai no início da guerra. As informações foram obtidas pela Reuters com três pessoas próximas ao círculo interno do líder.

Além das feridas no rosto, Khamenei também sofreu uma lesão significativa em uma ou nas duas pernas durante um bombardeio ao complexo do líder supremo em Teerã, ocorrido em 28 de fevereiro. Apesar dos ferimentos, o líder de 56 anos participa ativamente das decisões de governo, conforme afirmaram as fontes que pediram anonimato. Ele tem se comunicado em reuniões com autoridades por áudio e continua envolvido nas decisões sobre a guerra e nas negociações com Washington.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as informações sobre a condição de Khamenei. A missão do Irã nas Nações Unidas não respondeu aos questionamentos sobre a gravidade dos ferimentos nem sobre a ausência de imagens públicas do líder. As dúvidas sobre a capacidade de Khamenei de governar surgem em um dos momentos mais críticos do Irã em décadas. As negociações de paz com os Estados Unidos começaram neste sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão.

O paradeiro, a condição física e a capacidade de governar de Mojtaba permanecem em grande parte desconhecidos pelo público. Desde o ataque aéreo e sua nomeação como sucessor do pai, Ali Khamenei, não foram divulgadas fotos, vídeos ou gravações de áudio. Um apresentador da TV estatal descreveu o novo líder como “janbaz”, termo usado para pessoas gravemente feridas em guerra.

Relatos coincidem com a declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que afirmou em 13 de março que Khamenei estava “ferido e provavelmente desfigurado”. Uma fonte familiarizada com avaliações da inteligência americana indicou que o líder teria perdido uma perna. Alex Vatanka, pesquisador do Middle East Institute, afirmou que, independentemente da gravidade dos ferimentos, é improvável que o novo líder exerça o mesmo nível de poder que seu pai. Ele destacou que Mojtaba representa continuidade política, mas pode levar anos até que consolide uma autoridade semelhante.

Uma das fontes próximas ao círculo do líder afirmou que imagens de Khamenei podem ser divulgadas em um ou dois meses, e que ele poderá aparecer em público quando as condições de saúde e segurança permitirem. A ausência do líder tem gerado discussões nas redes sociais iranianas e em aplicativos de mensagens, quando a internet do país permite acesso. Teorias da conspiração sobre seu estado de saúde e sobre quem governa o país circulam online.

Apoiadores do governo afirmam que manter o líder fora do público é necessário devido à ameaça de novos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel. Mohammad Hosseini, integrante do Basij, milícia voluntária ligada à Guarda Revolucionária, comentou: “Por que ele deveria aparecer em público? Para virar alvo desses criminosos?”.

No sistema teocrático iraniano, o líder supremo concentra o poder máximo do Estado, sendo escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. O primeiro líder supremo do país, Ruhollah Khomeini, exercia autoridade incontestável após a revolução islâmica. Ali Khamenei, seu sucessor, tinha menor prestígio religioso, mas consolidou poder ao longo de décadas, em parte ao fortalecer a Guarda Revolucionária. Fontes iranianas já haviam indicado que Mojtaba Khamenei não possui o mesmo nível de autoridade absoluta.

Durante a guerra, a Guarda Revolucionária, que apoiou sua ascensão após o assassinato do pai, passou a ter um papel central nas decisões estratégicas. Embora seja visto como alinhado à linha dura do regime, especialistas afirmam que ainda há poucas informações públicas sobre a visão política do novo líder. A primeira comunicação dele aos iranianos ocorreu em 12 de março, por meio de mensagem escrita lida na televisão estatal, na qual afirmou que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado e alertou países da região para encerrarem bases militares americanas.

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